Espectrofonias no teatro de Nathalie Sarraute

Diego dos Santos Reis

Resumo


Este ensaio busca analisar de que modo parte do teatro de Nathalie Sarraute pode ser lido como uma espectropoética, isto é, concebido como modo de trabalhar o elemento espectral em suas composições via procedimentos sonoros específicos. Pautadas pela fragmentação sonora, pela polifonia, pela duplicação vocal e figural, as peças de Sarraute teriam como traço comum a ênfase na dimensão auditiva e no universo acústico das operações características de meios sonoros, o que resultaria na criação de zonas de tensão entre temporalidade e espacialidade, matéria sonora das palavras e imagem. Para além da camada semântica, aqui a voz é pensada não apenas com a força de choque de um objeto material, mas também como o lugar de uma ausência que, nela, se transforma em presença. Estas espectropoéticas se configurariam então como exercícios de experimentação vocal e de escuta marcados por traço lacunar, por reduplicações e ressonâncias que caracterizariam a indeterminação da ausência-presença como procedimento formal privilegiado desta dramaturgia.

Palavras-chave


Nathalie Sarraute; Dramaturgia; Poéticas da Cena

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DOI: https://doi.org/10.5007/2176-8552.2018n25p104



outra travessia, eISSN 2176-8552, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

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