No palco do século: variações contemporâneas do topos do “teatro do mundo” na poesia de Alexei Bueno

Rafael Campos Quevedo

Resumo


A obra de Curtius, em sua seção destinada a metáforas clássicas e de longevidade na literatura, dedica um tópico ao “teatro do mundo”. Para o filólogo alemão, “o germe da representação do mundo como um teatro em que os homens, movidos por Deus, desempenham seus papéis” acha-se nos diálogos de maturidade de Platão, As leis Filebo. Segundo o autor, a “comparação do homem a um ator torna-se lugar comum” que ingressa na literatura latina (Horácio e Sêneca) e em textos cristãos (Paulo, Clemente de Alexandria e Santo Agostinho). Escritores medievais (Boécio, João de Salisbury) continuam a cultivar o topos que se estende à modernidade em Ronsard, Shakespeare, Calderón, Cervantes e outros. Este artigo rastreia outros exemplos do lugar-comum, mas concentra sua atenção nas seguintes obras do carioca Alexei Bueno: A via estreita (1993), A juventude dos deuses (1996) e Entusiasmo (1997). Tal trilogia apresenta elaborações desse topos clássico, modulado, contudo, a partir de circunstâncias hiper-reais ou virtuais, conforme as acepções de Jean Baudrillard. Propõe-se, portanto, uma leitura das variações da metáfora teatral na obra de Bueno a partir dos referidos conceitos como formas de enfraquecimento da realidade e embotamento da experiência autêntica com o mundo.

Palavras-chave


Topos do Mundo como teatro; Poesia contemporânea; Alexei Bueno; Simulacro; Hiper-realidade

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DOI: https://doi.org/10.5007/2176-8552.2018n25p84



outra travessia, eISSN 2176-8552, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

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