A memória cartográfica: Os diários de Emilio Renzi entre o espaço de formação e o espaço de catástrofe

Autores/as

  • André Luiz Costa PUC-Rio

DOI:

https://doi.org/10.5007/2176-8552.2025.e99760

Palabras clave:

Ricardo Piglia, diários, história, ficção, ditadura militar argentina

Resumen

Em Os diários de Emilio Renzi a cidade de Buenos Aires surge primeiro como espaço de formação e, depois, como espaço de catástrofe. É no que Emilio Renzi, alter ego de Ricardo Piglia, chama de “os anos da peste”, ou seja, os anos da ditadura militar argentina, que a cidade adquire aspectos ameaçadores e se altera, do que antes era efervescência literária e cultural, para um espaço de esvaziamento e solidão. Em tom memorialístico, podendo ser lidos na fronteira entre documento pessoal e ficção, os três volumes dos Diários borram os gêneros literários, em processo de colagem. Neste artigo, iremos nos deter em elementos que caracterizam a relação do narrador com o espaço na obra, em especial durante a ditadura dos anos 1970 e 1980. Com base nas leituras de Beatriz Sarlo, Adriana Rodríguez Pérsico, Maria Antonieta Pereira e Júlio Pimentel Pinto, analisaremos o “mapa autobiográfico” da cidade, conforme delimitado por Renzi em seus deslocamentos constantes, e as formas que a cartografia desse espaço assume ao longo dos volumes dos Diários.

 

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Publicado

2026-03-09

Número

Sección

Artigos