A oralidade e sua importância para a preservação e perpetuação da memória coletiva
DOI:
https://doi.org/10.5007/1518-2924.2026.e110957Palavras-chave:
Oralidade, Memória Coletiva, Esquecimento, Ciencia da Informação, Instituições de MemoriaResumo
Objetivo: Discutir a oralidade como elemento central para a preservação e a perpetuação da memória coletiva, analisando suas relações com o esquecimento e com os processos informacionais no âmbito da Ciência da Informação, em especial nas instituições de memória.
Método: Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, com caráter teórico-bibliográfico, fundamentado em obras clássicas e contemporâneas da Ciência da Informação, dos estudos da memória e da oralidade, da neurociência e de áreas afins. Foram mobilizados autores como Halbwachs, Ricoeur, Assmann, Huyssen, Buckland, González de Gomes, Dodebei, Dias, Ong e Zumthor, entre outros, buscando articular perspectivas interdisciplinares sobre informação, memória, esquecimento e patrimônio cultural imaterial.
Resultado: Através da pesquisa ficou evidenciado que a oralidade extrapola a simples dimensão da fala, configurando-se como sistema comunicacional e cultural que produz, transmite e ressignifica saberes individuais e coletivos. Demonstra-se que, na Ciência da Informação, a oralidade pode ser compreendida simultaneamente como fonte, objeto e processo informacional legítimo, em diálogo com práticas de organização, preservação e mediação da informação e arquivos, bibliotecas, museus e centros de documentação. Mostra-se, ainda, que memória e esquecimento formam um binômio dialético, no qual decisões sobre registrar, guardar, disponibilizar ou silenciar impactam diretamente a construção da memória coletiva e a visibilidade de grupos historicamente marginalizados.
Conclusões: Conclui-se que reconhecer a oralidade como patrimônio informacional e como elemento constitutivo da memória coletiva é fundamental para fortalecer políticas de preservação e mediação cultural nas instituições de memória. A incorporação sistemática de registros orais aos acervos documentais contribui para pluralizar narrativas, preencher lacunas históricas e ampliar a representatividade de sujeitos e comunidades, especialmente em contextos marcados por forte diversidade cultural e desigualdades de acesso à escrita, como o brasileiro.
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