Nietzsche, crítico do progresso
DOI:
https://doi.org/10.5007/1677-2954.2026.e112665Palavras-chave:
Nietzsche, progresso, décadence, natureza, civilizaçãoResumo
Pretende-se demonstrar como Nietzsche realiza uma crítica à ideia de progresso e propõe uma inversão que pensa esse conceito não como contrário, mas precisamente como um composto da ideia de natureza. Reconhecendo o progresso como uma ideia moderna par excellence, o filósofo alemão evidencia que tal visão de progresso não passa de um “ato de fé”, cujo prejuízo tem levado ao adoecimento das forças vitais precisamente porque, como crença, ele se constitui como décadence moral. Começa-se, assim, por analisar a constituição do progresso como traço característico da modernidade para, a partir daí, analisar como a crítica de Nietzsche faz ver que, no fundo, tal “ideia de progresso” não passa de décadence, sintoma que, no limite, atravessa a civilização ocidental, tendo em Sócrates sua figura pioneira. Trata-se de demonstrar que, para Nietzsche, o pretenso progresso técnico e científico da modernidade não veio acompanhado de nenhum progresso moral, bem ao contrário, tem levado à décadence. No seu lugar, é preciso pensar o progresso precisamente a partir do seu pretenso inverso: renaturalizar o homem seria, para Nietzsche, o “progresso dos progressos”, mas isso implicaria a aceitação do progresso como uma tarefa de cultivo da grandeza, assumida por meio da disciplina e da organização que contrastam com a décadence da civilização moderna.
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