Radicalização da liberdade negativa: Hegel, pós-secularismo e fanatismo

Filipe Campello

Resumo


O presente artigo tem como objetivo encontrar em Hegel uma contribuição teórica para a debate recente sobre pós-secularismo e a relação entre religião e esfera pública, em particular em torno do conceito de fanatismo. Em primeiro lugar, como veremos, o que se sobressai na abordagem hegeliana é o modo em que o conceito de fanatismo é desenvolvido a partir de uma teoria da liberdade e suas patologias; e, em segundo lugar, como este modelo de liberdade vincula-se a uma teoria de formação da vontade livre em que as instituições cumprem um papel central. Em vista desta proposta interpretativa, apresento meu argumento em dois passos. Primeiramente, discuto brevemente em que medida o conceito hegeliano de fanatismo, ao vincular-se a um modelo de liberdade, pode contribuir para o debate contemporâneo (1). E, em segundo lugar, apresento como a intuição original de Hegel pode ser atualizada a partir de um modelo normativo de processos de aprendizagem (2). 


Palavras-chave


Fanatismo; Pós-secularismo; Esfera pública; Instituições; Afetos

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DOI: https://doi.org/10.5007/1677-2954.2015v14n2p320

          

 

 

ethic@. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil, eISSN 1677-2954

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