Fontes primárias no ensino de física: considerações e exemplos de propostas

Autores

  • Giovanninni Leite de Freitas Batista Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte
  • Juliana Mesquita Hidalgo Ferreira Drummond Departamento de Física Teórica e Experimental, Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • Daniel Brito de Freitas Departamento de Física Teórica e Experimental, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7941.2015v32n3p663

Resumo

Em contraste com a tendência positivista de outrora, fontes primárias não são mais consideradas como documentos oficiais que contém “a verdade sobre o passado”. Atualmente, são compreendidas como artefatos culturalmente produzidos que refletem intencionalidades de personagens. São essenciais para o trabalho interpretativo realizado por historiadores e historiadores da ciência. No contexto educacional, na disciplina escolar de História, os estudantes já costumam ser convidados a uma interpretação diacrônica de documentos históricos. De modo distinto, o uso desse tipo de material é ainda raro em iniciativas para a inserção da História e Filosofia da Ciência no ensino de Física. Adicionalmente, há lacunas quanto a refletir sobre o uso didático dessas fontes em aulas de Física numa perspectiva não ilustrativa, mas sim investigativa, a qual estaria em ressonância com pressupostos historiográficos da História da Ciência e objetivos didáticos atualizados. Atividades investigativas, dialógicas, baseadas na interpretação diacrônica de documentos podem incentivar a curiosidade e a imaginação dos alunos acerca do processo de construção do conhecimento científico, evocando elementos usualmente ausentes em livros didáticos. O presente artigo reflete sobre tais questões e discute dois exemplos de possibilidades didáticas de uso de fontes primárias relacionadas à História do Vácuo e da Pressão Atmosférica.

Biografia do Autor

Giovanninni Leite de Freitas Batista, Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte

Possui graduação em Física - Licenciatura Plena - pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É Mestre em Ensino de Ciências e Matemática pela UFRN. Atualmente trabalha como professor efetivo no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte.

Juliana Mesquita Hidalgo Ferreira Drummond, Departamento de Física Teórica e Experimental, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

É bacharel em Física pela Universidade Estadual de Campinas (1998), mestre em Historia da Ciência (2001/FAPESP) e doutora em Filosofia/ Filosofia da Ciência (2005/FAPESP) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Realizou estágios de pós-doutoramento na UNICAMP (2005-2007/FAPESP) e na PUC-SP (2007-2008/FAPESP). Foi coordenadora de área do PIBID-Física CAPES na Universidade Federal do Rio Grande do Norte entre 2010 e 2012. Atualmente é professora pesquisadora no Departamento de Física Teórica e Experimental da UFRN e membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática. Atua principalmente nas áreas de História da Ciência, História e Filosofia da Ciência no Ensino e Natureza da Ciência (www.hfcjhidalgo.com). É integrante do Grupo de História, Teoria e Ensino de Ciências da Universidade de São Paulo (www.ghtc.usp.br).

Daniel Brito de Freitas, Departamento de Física Teórica e Experimental, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Pós-Doutor e Doutor em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte com período de Doutorado Sandwich no Observatório Astrofisico di Arcetri, Florença, Itália na área de determinação de abundância química em estrelas evoluídas de aglomerados abertos. As principais fontes de investigação são Astrofísica Estelar e Mecânica Estatística. Em Astrofísica Estelar trabalha com Rotação Estelar, Formação Estelar (especificamente IMF) e Exoplanetologia. Em Mecânica Estatística trabalha com modelos dinâmicos em Sistemas Complexos em Séries Temporais com aplicação em Astrofísica e Geofísica de Terremotos. Dentro da Teoria de Sistemas Complexos aplica métodos e teorias, tais como, MFDFA (análise multifractal) e Mecânica Estatística Não-Extensiva também nos cenários da Astrofísica e da Dinâmica de Terremotos. Trabalha com diferentes linguagens de programação: FORTRAN, MatLab e R. Mais recentemente, está trabalhando na área de Astroestática desenvolvendo pacotes de software na linguagem R para aplicação em séries temporais astrofísicas utilizando conceitos de Sistemas Complexos e Transição de Fase. Atualmente é pesquisador e professor Adjunto II DE do DFTE-UFRN onde também atua como coordenador do Curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

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Publicado

2015-10-23

Edição

Seção

História e Filosofia da Ciência