Entre canciones y versos: vozes latinoamericanas e letramento feminista na educação linguística em espanhol
DOI:
https://doi.org/10.5007/1984-8412.2026.e108416Palavras-chave:
Letramento crítico, Multimodalidade, Feminismo , Violência de gêneroResumo
A música como recurso didático favorece uma abordagem multimodal, intercultural e crítica na educação linguística, principalmente nas aulas de línguas adicionais. Com o objetivo de analisar as canções Antipatriarca (Tijoux, 2014), de Ana Tijoux, e Canción sin miedo (Quintana, 2020), de Vivir Quintana, com participação de El Palomar, relaciona-as ao feminismo, ao desenvolvimento do letramento crítico e à educação linguística em espanhol. Para tanto, ancorado nos estudos da Linguística Aplicada crítica (Pennycook, 2021), dialoga com autores como Jordão (2014), Rojo (2012), Monte Mór et al (2021), Crenshaw (2002), Gonzalez (2020), Ahmed (2017), hooks (2017) e Freire (2019) para citar alguns. Como metodologia, adota uma abordagem qualitativa de caráter interpretativista que tem como foco a análise dos sentidos construídos nas letras das músicas e sua articulação com aspectos como denúncia, resistência, identidade e agência. Além disso, buscou-se elaborar uma proposta didática para o trabalho com as duas canções nas aulas de espanhol. Os resultados apontam que ambas as canções funcionam como textos multimodais com potencial de promover problematizações sobre patriarcado, violência de gênero e identidade feminina. Além disso, podem contribuir para uma educação linguística comprometida com a luta contra as desigualdades, permitindo aos estudantes de espanhol (re)pensar seus repertórios culturais e compreender a língua como um instrumento de emancipação.
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