As condições do pensamento diante da aceleração e da diluição dos limites no mundo contemporâneo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-8412.2017v14nespp2545

Palavras-chave:

Plágio, Pensamento contemporâneo, Científico

Resumo

Nesta reflexão, buscamos compreender de que modo o pensamento, mais especificamente, a integridade científica, sofre interferências do mundo contemporâneo, caracterizado pela efemeridade das informações, rapidez na produção científica e diluição dos limites. Tematizamos o plágio e as condições para sua ocorrência: uma sociedade que privilegia o produtivismo (WATERS, 2004); mudanças na produção de trabalhos universitários (SCHNEIDER, 1985); questões relativas à economia de mercado (ADORNO; HORKHEIMER, 1974); e o aspecto tecnológico. Também trazemos à tona as contínuas mudanças da sociedade atual e suas consequências nos modos de subjetivação (BERGSON, 2003). Estes são afetados pela mobilidade constante dos meios de comunicação, que alteram a percepção de si e da realidade. Decorre do virtual uma espécie de distinto generalizado. Além disso, se propagam atividades automáticas e mecânicas, as quais não requerem saberes aprofundados (BALANDIER, 2006). O pensar  demorado ocorre em um ritmo permeado por desvios, digressões, pausas, sem resultados constantes. Entretanto, o pensar encontra no imediatismo e na velocidade barreiras para se efetivar. Daí decorre uma competência técnica, sem mentalização. A ignorância sobre o pensamento e o conhecimento leva ao desaparecimento do autor.  Precisamos repensar as noções de si, propriedade de si, autor e autoridade.  As formas atuais de apropriação do conhecimento, velozes, em contraponto com o ritmo lento do pensar, colocam em evidência a necessidade de respeitar o tempo, a originalidade, o pensamento de si e do outro.

 

Biografia do Autor

Claudine Haroche, Centro Nacional de Pesquisa Científica - CNRS

Doutora em Sociologia pela Universidade de Paris VII. Diretora de pesquisas no Centre National de Recherche Scientifique (Centro Nacional de Pesquisa Científica - CNRS).

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Publicado

2017-11-24