“É um problema de todo mundo”: conceitos, métodos e práticas no ensino de português para refugiados

Bruno Deusdará, Poliana Coeli Costa Arantes, Ana Karina Brenner

Resumo


Neste artigo, problematizamos a rede conceitual e metodológica que sustentam nossas práticas de acolhimento a refugiados. A partir dos pressupostos que orientam nossas práticas iniciou-se produção de material didático próprio e supervisão das aulas ministradas por voluntários. Equipe multidisciplinar e interinstitucional foi constituída e problematiza as implicações conceituais, éticas e políticas do professor de línguas que atua na acolhida a refugiados. A equipe constituiu-se com o objetivo de garantir o espaço de discussão em torno da demanda concreta de atuação, supervisão da elaboração de materiais e avaliação permanente da aplicação do material e das demais ações relativas ao curso. A noção de direitos e garantia de acesso aos serviços públicos que os asseguram, a não linearidade de conteúdos, a participação ativa dos refugiados e professores voluntários no apontamento dos temas e conteúdos do material didático e das aulas constituem eixos fundamentais de nossa prática.

Palavras-chave


Ensino de Línguas para refugiados; Refúgio; Direitos Humanos

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DOI: https://doi.org/10.5007/1984-8412.2018v15n3p3226

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