A denúncia de tabloidização nas imagens da campanha COLETA 2015
DOI:
https://doi.org/10.5007/1984-6924.2016v13n1p42Resumen
Este trabalho analisa as imagens de divulgação da campanha COLETA 2015, ação de arrecadação de fundos em prol do combate à extrema pobreza, da organização sem fins lucrativos TETO. Ao denunciar a realidade socioeconômica de milhões de brasileiros, a campanha, que teve como slogan “O problema não é o que vira notícia, mas o que deixa de ser”, acaba por denunciar também o fenômeno conhecido, a partir da década de 1990, por tabloidization – estudado majoritariamente no contexto da Europa Ocidental e dos Estados Unidos por autores como Sparks (1998), Esser (1999), Turner (1999), Sparks e Tulloch (2000). Uma das questões centrais deste debate aponta para um desequilíbrio da agenda midiática contemporânea ao dedicar muita atenção aos aspectos da vida particular das pessoas, principalmente celebridades, personagens públicas, como políticos, e, por vezes, pouca aos aspectos políticos, sociais e econômicos de efetivo interesse público, como a pobreza, por exemplo. A denúncia da tabloidização, por meio das imagens da campanha COLETA 2015 com a hashtag #quemliga presente nas redes sociais, põe em causa a atuação do jornalismo numa democracia, em termos de qualidade do conjunto de temas selecionados para o debate público.
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