A importância do lazer criativo dentro da perspectiva dos novos mercados de trabalho
DOI:
https://doi.org/10.1590/%25xResumo
O ser humano passou setenta milhões de anos sem indústria, mas a era industrial durou pouco mais de um século e já se iniciou uma nova era: a era pós-industrial, onde a capacidade criativa do homem é muito valorizada. Profissões que exigem esforços repetitivos ou níveis de decisões que possam ser “imitados” por computadores estão desaparecendo. O futuro pertence às pessoas criativas, àquelas capazes de combinar atividades, onde o trabalho, o estudo e o lazer se confundem e se completam; àquelas que conseguirem manejar o bem mais precioso da nova economia, que é a informação. A sociedade industrial, além de privilegiar o racional, em detrimento do emocional, também privilegiou a quantidade em relação à qualidade e o coletivo em relação ao subjetivo. O modo de produção industrial foi determinante para essa profunda diferença entre o tempo de trabalho e o tempo de lazer. Já na sociedade pós-industrial, essas diferenças ficam bem diluídas; o trabalho se confunde com o lazer. A tecnologia contribuiu muito para que isso acontecesse. Mas, saber desfrutar do tempo livre é uma arte onde poucos são os artistas. Existe a necessidade de um equilíbrio entre os tempos sociais: o tempo de trabalho e o tempo livre, que é onde o lazer, principalmente o lazer criativo, se desenvolve. Para demonstrar, na prática, essa idéia, realizou-se uma pesquisa de campo, com 146 alunos, do 1º período, dos três cursos superiores de engenharia do CEFETPR, baseando-se e comparando-se com uma pesquisa de campo francesa, de Dumazedier (1994, pg. 81 a 94), com alunos de 5ª e 2ª séries (equivalente ao modelo brasileiro de ensino à 6ª série do 1º grau e à 1ª série do 2º grau). A pesquisa foi um questionário onde foram propostos 14 objetivos educativos e os alunos puderam escolher por qual das vias (a via escolar ou a via extra-escolar) esses objetivos melhor e/ou mais facilmente são alcançados. A idéia central da pesquisa de campo era comprovar que o tempo livre é uma fonte, muitas vezes desconhecida, de aprendizagem e que há um certo equilíbrio entre a aprendizagem através do trabalho escolar e a autoformação do tempo livre. Também se pode comparar se a prática do trabalho escolar cria um hábito crescente, como esperam os professores, ou acontece exatamente o contrário, e se as diferenças de sexo, de idade, de curso e do grau de escolaridade dos pais influencia, de alguma forma, nessas escolhas. Acabou-se por descobrir que existe sim um certo equilíbrio entre as atividades propostas pela escola e as atividades do tempo livre e que as diferenças culturais entre países como o Brasil e a França ficam evidentes nas respostas dos alunos pesquisados. A sociedade pós-industrial privilegia a produção de idéias, exigindo uma mente inquieta. Essa foi a preocupação central deste estudo.Publicado
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