Quando a duração importa: repensando a intensidade no treinamento resistido através do tempo sob tensão
DOI:
https://doi.org/10.1590/1980-0037.2025v27e107589Palavras-chave:
Treinamento resistido, Contração muscular, Terapia por exercícioResumo
O modelo tradicional de volume × intensidade no treinamento resistido, definido como séries × repetições × carga, não considera a duração do esforço muscular. Essa limitação ignora a importância do Time Under Tension (TUT) — o tempo total em que o músculo permanece ativamente contraído durante o exercício —, que influencia significativamente as adaptações hipertróficas, metabólicas e neuromusculares. Estudos recentes demonstram que a manipulação do tempo de repetição altera padrões de ativação muscular, hipertrofia regional e acúmulo de fadiga, independentemente da carga total. Por exemplo, tempos excêntricos prolongados aumentam o dano muscular e a síntese proteica, enquanto fases concêntricas rápidas podem favorecer o desenvolvimento de potência. Além disso, o TUT é uma estratégia prática para fornecer tensão mecânica suficiente com cargas mais baixas, sendo especialmente útil para idosos, populações clínicas e atletas em fases de recuperação. Apesar de desvios naturais no tempo sob tensão nas últimas repetições — devido à fadiga —, cerca de 70% das repetições costumam ser realizadas com a cadência prescrita, o que reforça a viabilidade do uso do TUT. Este ponto de vista defende a inclusão do TUT nos modelos de quantificação da carga de treino e propõe uma equação revisada: Volume = séries × repetições × carga × tempo por repetição.
Referências
Steele J, Fisher J, Giessing J, Gentil P. Clarity in reporting terminology and definitions of set endpoints in resistance training. Muscle Nerve. 2017;56(3):368-74.
Toigo M, Boutellier U. New fundamental resistance exercise determinants of molecular and cellular muscle adaptations. Eur J Appl Physiol. 2006;97(6):643-63.
Schoenfeld BJ, Ratamess NA, Peterson MD, Contreras B, Sonmez GT, Alvar BA. Effects of different volume-equated resistance training loading strategies on muscular adaptations in well-trained men. J Strength Cond Res. 2014;28(10):2909-18.
Wernbom M, Augustsson J, Thome R. The influence of frequency, intensity, volume and mode of strength training on whole muscle cross-sectional area in humans. Sports Med. 2007;37(3):225-64.
Hunter GR, McCarthy JP, Bamman MM. Effects of resistance training on older adults. Sports Med. 2004;34(5):329-48.
Tran QT, Docherty D. Dynamic training volume: a construct of both time under tension and volume load. J Sports Sci Med. 2006;5(4):707-13.
Schoenfeld BJ, Contreras B, Vigotsky AD, Peterson M. Differential effects of heavy versus moderate loads on measures of strength and hypertrophy in resistance-trained men. J Sports Sci Med. 2016;15(4):715-22.
Wilk M, Zajac A, Tufano JJ. The influence of movement tempo during resistance training on muscular strength and hypertrophy responses: a review. Sports Med. 2021;51(9):1629-50.
Burd NA, West DW, Staples AW, Atherton PJ, Baker JM, Moore DR, et al. Low-load high volume resistance exercise stimulates muscle protein synthesis more than high-load low volume resistance exercise in young men. PLoS One. 2010;5(8):e12033.
Liguori G, Feito Y, Fountaine C, Roy B. ACSM’s guidelines for exercise testing and prescription. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2020.
Bezerra E, Orssatto L, Moura B, Willardson J, Simão R, Moro A. Mixed session periodization as a new approach for strength, power, functional performance, and body composition enhancement in aging adults. J Strength Cond Res. 2018;32(10):2795-806.
Dankel SJ, Mattocks KT, Jessee MB, Buckner SL, Mouser JG, Counts BR, et al. Frequency: the overlooked resistance training variable for inducing muscle hypertrophy? Sports Med. 2017;47(5):799-805.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Os direitos Autorais para artigos publicados nesta revista são do autor. Os autores concedem os direitos de primeira publicação à RBCDH, sendo a obra simultaneamente licenciada sob a Licença Creative Commons (CC BY) 4.0 Internacional.
Os autores estão autorizados a celebrar contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (por exemplo, publicação em repositório institucional, em site pessoal, publicação de tradução ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
