O corpo importa: corpos falantes e a produção discursiva do sexo

Autores

  • Camilla de Magalhães Gomes UniCEUB

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2020v28n59271

Palavras-chave:

sexo, linguagem, corpos, dimorfismo sexual, colonialidade

Resumo

Os estudos decoloniais nos mostram que a colonialidade tem por dicotomia fundamental a divisão entre humanos e não humanos. Que processos, contudo, produzem ou preenchem essa oposição? No presente artigo buscamos discutir o sexo como produção discursiva que faz parte dos processos de distribuição de humanidade da colonialidade ocidental. Para isso, trabalha a noção de corpos falantes, como modo de romper com a ideia do corpo como tela em branco, natureza a que se imprime sentido por meio da cultura. Com isso, torna-se possível questionar o dimorfismo sexual e pensar na ampliação dos modos pelos quais atribuímos a linguagem do sexo e, assim, reconstruirmos a linguagem sobre os corpos para permitirmos mais, para podermos dizer que, apesar de só conhecermos os corpos por meio da linguagem, esses sempre a excedem.

Biografia do Autor

Camilla de Magalhães Gomes, UniCEUB

Doutora em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília (UnB, Brasília, DF, Brasil). Professora do Centro Universitário de Brasília (UniCeub)

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Publicado

2020-12-18

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Artigos