Rastros de 1968 nos artivismos das dissidências sexuais e de gênero

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2021v29n162773

Palavras-chave:

Maio de 68, artivismos, corpo dissidente, gênero e sexualidade, queer

Resumo

O texto faz uma breve genealogia das questões relacionadas aos gêneros e às sexualidades que perpassam a “revolução mundial de Maio de 1968” e algumas das consequências políticas e sociais de seu potencial de desestabilização. Busca-se criar uma linha filiativa entre a revolução mundial, o início das discussões sobre gênero e sexualidade nas artes cênicas a partir do Teat(r)o Oficina e as atuais produções artísticas que se utilizam do corpo, da arte e do ativismo para enunciarem uma desobediência das normas, chamadas aqui de artivismos das dissidências sexuais e de gênero ou “a(r)tivismos queer”.

Biografia do Autor

Marcelo de Troi, Doutorando no Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade

Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, mestre em Cultura e Sociedade pelo Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC/UFBA) e doutorando no mesmo programa. Pesquisador do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Culturas, Gêneros e Sexualidades (NuCuS) do IHAC/UFBA, onde atua como um dos coordenadores da linha de pesquisa Corpos, Cidades e Territorialidades Dissidentes.

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2021-07-21

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Artigos