Três casamentos e algumas reflexões: Notas sobre conjugalidade envolvendo travestis que se prostituem

Larissa Pelúcio

Resumo


http://dx.doi.org/10.1590/S0104-026X2006000200012

A partir de uma abordagem antropológica que dialoga com a teoria queer, analisamse três experiências de conjugalidade envolvendo travestis que se prostituem, discutindo-se os limites dessas relações, impostos pela visão de mundo que orienta as travestis, pessoas pertencentes em sua maioria às camadas populares e, de acordo com a hipótese que se coloca, tributárias de uma visão de mundo holista. Assim, observa-se que as relações conjugais vêm fortemente orientadas por perspectivas essencialista quanto ao sexo e ao gênero, atribuindo papéis rigidamente estabelecidos para cada parceiro. Ao naturalizar o sexo que exige um gênero supostamente coerente a essa anatomia que elas simplesmente não aceitam como destino, mantêm-se atadas à matriz heteronormatizadora. Informadas por uma gramática de conjugalidade heterossexual, elas encontram dificuldades em elaborar um outro léxico para as relações conjugais.


Palavras-chave


travestis, conjugalidade, gênero, heteronormatividade; individualismo/holismo

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DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2006000200012

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Revista Estudos Feministas, ISSN 1806-9584, Florianópolis, Brasil.