O Ulysses de James Joyce e a Tradução de Bernardina da Silveira Pinheiro

Autores

  • Jonathas Rodrigo Bitencourt Duarte Universidade Federal do Paraná

DOI:

https://doi.org/10.5007/1980-4237.2010n8p353

Palavras-chave:

James Joyce, Ulisses, Tradução de Bernardina da Silveira Pinheiro

Resumo

Este artigo avalia a tradução de Ulysses publicada em 2005 por Bernardina Pinheiro. A fim de evitar uma análise excessivamente terminológica, adotamos como suporte teórico o doutorado de Caetano Galindo, que testou a adaptabilidade do modelo bakhtiniano de análise romanesca às especificidades de Ulysses, especialmente no que diz respeito à representação do discurso e à coexistência entre as vozes das personagens e narradores na obra. Para Galindo, a principal dificuldade da obra reside em saber, de fato, a quem pertence cada discurso representado. Afinal, o narrador de Ulysses é influenciável, e o texto trabalha, o tempo todo, com a contaminação de uma voz pelo discurso de outra. A obra de Bakhtin nos foi igualmente válida, por sua tentativa de fundar um modelo que considere a prosa em sua especificidade, sem pensá-la como retórica promovida ou poesia degradada. Parece-nos que, no afã de popularizar o Ulysses, Pinheiro teria sacrificado boa parte da variedade linguística e da pluralidade de vozes da obra. Além disso, mesmo a coloquialidade nem sempre se sustenta como distintivo de sua tradução. Prova disso é que a tradução de Houaiss, recebida pela crítica como dura e erudita, supera diversas vezes a coloquialidade de Pinheiro. Os resultados deste artigo visam tanto sondar a eficácia da proposta de Galindo, quanto estudar a possibilidade de aplicação das categorias bakhtinianas a uma análise da tradução que, compreendendo-a como análoga à citação, nos permitisse colocar os fenômenos de estrangeirização e vernacularização como centralmente ligados às questões de autonomia, concessão e coexistência de vozes.

Biografia do Autor

Jonathas Rodrigo Bitencourt Duarte, Universidade Federal do Paraná

Jonathas é aluno desde 2006 da Universidade Federal do Paraná, matriculado no curso de graduação em Letras, na ênfase de Estudos Literários de Língua Inglesa. Realiza pesquisa constante na área de tradução e, fortemente influenciado pelo Steiner de After Babel, pretende em um futuro próximo delinear uma correlação entre processo tradutório e filosofia existencialista, sob a perspectiva da relação eu-outro como proposta por Kierkegaard. Atualmente, entretanto, seus estudos concentram-se em James Joyce, Bakhtin e Eco (sobretudo o teórico Eco). Em seu projeto de iniciação científica, iniciado em julho deste ano pela UFPR, Jonathas analisa a representação das vozes no Ulysses de James Joyce, bem como nas traduções brasileiras da obra, e seu possível convívio com a palavra de Bakhtin.

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Publicado

2010-01-01

Edição

Seção

Dossiê : Ulysses Traduzido ao Português (co-organizado por Gustavo Althoff, Mauri Furlan e Jolanta Wawrzycka)