Morte do Homem branco e Potência-Senzala: Tradução em Tempo de Novas Ontologias

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7968.2019v39nespp47

Palavras-chave:

Tradução, Ontologia, Políticas do Sujeito, Globalização

Resumo

Badiou, em O Ser e o Evento, parte do princípio que o vazio é formado por multiplicidades inconsistentes. Essa visão impossibilita a concepção de uma unidade fechada. Acreditamos que tal formulação se mostra como um corolário filosófico importante de formulações que estão
sendo feitas na antropologia. Roy Wagner, em sua obra An Anthropology of the Subject, vai formular a ideia de sujeito holográfico, sublinhando a impossibilidade de distinguir formulação e vivência. Marilyn Strathern, com seu questionamento em relação às escalas, no seu livro Partial Connections, vai na mesma direção. Podemos pensar o afastamento do modelo
de sujeito unitário tanto como causado pelo enorme processo de tradução para a língua dominante que aconteceu graças à globalização, como pelo estudo de narrativas de outras culturas, com outros modelos de sujeito, como nos estudos citados acima e demais esforços da antropologia. Ao contrário de uma integração institucional, esse tipo de encontro tradutório
está levando a uma série de tensões que torna a fórmula de Viveiros de Castro, o multinaturalismo, numa reflexão central: não vivemos apenas em diferentes culturas, mas em diferentes mundos.

Biografia do Autor

Leandro Tibiriçá de Camargo Bastos, Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo

Possui mestrado em Lingüística pela Universidade de São Paulo (2002). Entrou no doutorado em Tradução na Universidade de São Paulo, em 2014, concluiu em 2018

Referências

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Publicado

2019-12-19