A brincadeira na voz das crianças: afinal o brincar tem identidade de gênero?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1980-4512.2026.e110473

Palavras-chave:

Brincadeira, Criança, Gênero, Teoria Histórico-Cutural

Resumo

A brincadeira é a atividade dominante da criança, sendo um importante recurso para o processo de apropriação, aculturação e implementação das significações sociais. O objetivo deste estudo está em analisar a perspectiva das crianças se no brincar a identidade de gênero importa. Para isso empreendeu-se uma pesquisa de abordagem qualitativa utilizando como instrumento a entrevista com grupo de sete crianças de 4 a 5 anos matriculadas na educação infantil. Os materiais para entrevista foram uma narrativa lúdica que possibilitou aos/as participantes ingressarem facilmente no processo. A análise dos resultados foi feita por meio dos núcleos de significação. Os resultados apontam para uma tenção existente das fronteiras de gênero. Foi possível verificar que, mesmo que não sejam sempre articuladas de forma direta, elas contêm elementos das suas vivências e sentimentos que foram retratados nesta investigação.

Biografia do Autor

Leonardo Felipe Duarte, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Doutor em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (FAED/UFMS) (2023-2025). Mestre em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) (2021-2023). Especialista em Pedagogia: gestão docência pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná-PUC-PR (2021-2022) e em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e o Mundo do Trabalho pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) (2022-2023). Especialista em Currículo e prática docente nos anos iniciais do ensino fundamental (UFPI). Graduado em Pedagogia pela Universidade Santo Amaro (UNISA) (2018-2020). Graduado em Geografia pelo Centro Universitário ETEP (2022-2023). Graduado em Ciências Sociais (licenciatura) pela UFMS/CPNV (2021-2023). Foi membro do grupo de pesquisa Educação Inclusiva e Políticas Públicas na linha de pesquisa Educação, Direitos Humanos e Diversidade da UNISA, do grupo de Estudos e Pesquisas em Aprendizagem, Desenvolvimento e Inclusão na Educação Básica (GEPADIEB). Atualmente é membro e vice-líder do grupo de Estudo e Pesquisa em Desenvolvimento Gênero e Educação (GEPDGE).Tem interesse em pesquisas na área de Educação infantil, Docência masculina e Gênero. Atua como Coordenador de Gestão Pedagógica na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

Josiane Peres Gonçalves, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Pós-Doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS, 2019), Doutorado em Educação (PUCRS, 2009), Mestrado em Psicologia Social e da Personalidade (PUCRS, 2002) e Graduação em Pedagogia pela Universidade Paranaense (UNIPAR 1998). Atua como Professora titular da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em regime de dedicação exclusiva, lotada no Campus de Naviraí (CPNV), desde 2009. É professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação (cursos de mestrado e de doutorado) do Campus do Pantanal (PPGE/CPAN/UFMS) desde 2016, do Programa de Pós-Graduação em Educação (cursos de mestrado e de doutorado) da Faculdade de Educação (PPGEdu/FAED/UFMS) desde 2017 e do Programa de Pós-Graduação Profissional em Educação (curso de mestrado) do Câmpus de Naviraí (PPGPE/CPNV/UFMS) desde 2025. 

Referências

AGUIAR, Wanda Maria Junqueira de; ARANHA, Elvira Maria Godinho; SOARES, Júlio Ribeiro. Núcleos de significação: análise dialética das significações produzidas em grupo. Cadernos de Pesquisa, v. 51, p. e07305, 2021.

AGUIAR, Wanda Maria Junqueira de; OZELLA, Sergio. Apreensão dos sentidos: aprimorando a proposta dos núcleos de significação. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 94, n. 236, p. 299-322, jan./abr. 2013.

AGUIAR, Wanda Maria Junqueira; OZELLA, Sérgio. Núcleos de significação como instrumento para a apreensão da constituição dos sentidos. Psicologia Ciência e Profissão, v. 26, n. 2, p. 222-246, 2006.

ALVES, Hildineia; PASTANA, Marcela; MARQUES, Antônio Francisco. Gênero e educação infantil: entre princesas e príncipes há crianças que brincam e sonham. Perspectivas em Diálogo, Naviraí, v. 7, n. 14, p. 129-147, jan./jun. 2020.

BATIVA, Matheus dos Santos. Quem são os professores da educação infantil?: significações de professores sobre as relações de trabalho e gênero. 216 f. Dissertação (mestrado) – Universidade de Taubaté, Departamento de Pesquisa e Pós-graduação, 2024.

BUSS-SIMÃO, Márcia. Relações sociais de gênero na perspectiva de crianças pequenas na creche. Cadernos de Pesquisa, v. 43, n. 148, p.176-197 jan./abr. 2013.

DUARTE, Leonardo Felipe Gonçalves; MARTINS, Ida Carneiro; GIMENEZ, Roberto. Dessa brincadeira você não pode brincar! A brincadeira de papéis na constituição de gênero na educação infantil. Educação em Foco, [S. l.], v. 27, n. 51, p. 1–22, 2024.

DUARTE, Leonardo Felipe Gonçalves; DUARTE, Rodrigo Gonçalves; MARTINS, Ida Carneiro. Docência masculina na educação infantil: será esse um espaço somente de mulheres?. Dialogia, [S. l.], n. 43, p. e23762, 2023.

DUARTE, Leonardo Felipe. Docência e gênero na educação infantil: o que pensam as crianças da rede pública de ensino sobre ter um professor homem. Tese (Doutorado em Educação) - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Campus Campo Grande, 165 f. 2025.

ELIOT, Lise. Cérebro Azul ou Rosa: o impacto das diferenças de gênero na educação. Porto Alegre: Penso, 2013.

ELKONIN, Daniil. Psicologia do Jogo. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 447 p. Tradução de Álvaro Cabral. 2009.

FELIPE, Jane. Erotização dos corpos infantis. In: LOURO, Guacira; FELIPE, Jane; GOELLNER, Silvana (org.). Corpo, gênero, sexualidade: um debate contemporâneo na educação. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.

FINCO, Daniela. A Educação dos corpos femininos e masculinos na Educação Infantil. In: FARIA, Ana Lúcia Goulart de (org.). O coletivo infantil em creches e pré-escolas: falares e saberes. São Paulo: Cortez Editora, 2007.

FLICK, Uwe. Desenho da pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed, 2009.

FURLANETTO, Ecleide; PASSEGGI, Maria da Conceição; BIASOLI, Karina. Infâncias, crianças e narrativas da escola. Curitiba: CRV, 2020. 132 p.

KRAMER, Sonia. Autoria e autorização: questões éticas na pesquisa com crianças. Cadernos de Pesquisa, n. 116, p. 41–59, jul. 2002.

LE BRETON, David. A sociologia do corpo. Petrópolis: Editora Vozes, 2006.

LEONTIEV, Alexis Nikolaevich. O desenvolvimento do psiquismo. 2. ed. São Paulo: Centauro, 2010.

LOURO, Guacira Lopes. Gênero sexualidade e educação: uma Perspectiva pós-estruturalista. 16. ed. – Petrópolis: Vozes, 2014.

LOURO, Guacira Lopes; FELIPE, Jane; GOELLNER, Silvana Vilodre (org.). Corpo, gênero e sexualidade: um debate contemporâneo na educação. 9. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

LOURO, Guacira Lopes. Educação e docência: diversidade, gênero e sexualidade. Formação docente – Revista brasileira de pesquisa sobre formação de professores, [S. l.], v. 3, n. 4, p. 62–70, 2018.

MAGALHÃES, Luciana de Oliveira Rocha. A dimensão subjetiva dos processos de inclusão escolar no movimento da pesquisa-trans-formação. Tese (Doutorado em Educação: Psicologia da Educação). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/ PUC-SP. São Paulo. 2021.

PINO, Angel. As marcas do humano: às origens da constituição cultural na perspectiva de Lev S. Vigotski. São Paulo: Cortez, 2005. 303 p.

SAFFIOTI, Heleieth. A Mulher na Sociedade de Classes: mito e realidade. 3a edição. São Paulo: Editora Expressão Popular, 2013.

SAFFIOTI, Heleieth Iara Bongiovani. Gênero patriarcado violência. São Paulo: Expressão Popular: Fundação Perseu Abramo, 2015.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade, Ano 20, n. 2, p. 71-99, jul./dez. 1998.

TEIXEIRA, Sônia Regina dos Santos; BARCA, Ana Paula de Araújo. O professor na perspectiva de Vigotski: uma concepção para orientar a formação de professores. Revista de Educação, Ciência e Cultura. Canoas, v. 24, n. 1, 2019.

URT, Sonia; VITAL, Soraya. Constituição docente na educação integral: um olhar a partir da teoria da atividade. Anais eletrônicos da III Jornada Brasileira de Educação e Linguagem. III Encontro dos Programas de Mestrado Profissionais em Educação e Letras e XII Jornada de Educação de Mato Grosso do Sul. [S. l.], v. 1, n. 1, 2018.

VIGOTSKI, Lev Semionovitch. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

VIGOTSKI. Lev Semionovitch. A brincadeira e seu papel no desenvolvimento psíquico da criança. Revista GIS, Rio de Janeiro, n. 11, p. 23-36, jun. 2008.

VIGOTSKI, Lev Semionovich. Imaginação e criação na infância. São Paulo: Ática, 2009. Tradução: Zoia Prestes.

Publicado

2026-08-18

Edição

Seção

Dossiê: Brincar: Diálogos entre dois mundos