A floresta das adivinhas… Ou os meandros da interação social entre as crianças no jardim de infância em torno dos livros ilustrados

Maria Manuela Martinho Ferreira, Cristina Maria Löbe Guimarães Madureira

Resumo


Com base num episódio interactivo retirado das notas de campo do trabalho etnográfico realizado com um grupo de 10 crianças entre os 5 e os 6 anos de idade, em contexto de jardim de infância (JI), este artigo mobiliza contributos da Sociologia da Infância para dar conta dos usos sociais que as crianças fazem dos livros ilustrados, quando os utilizam por iniciativa própria, e dos modos como i) evidenciam a sua agência na construção de uma identidade social no e do grupo; ii) ressignificam simbolicamente os livros ilustrados, objectos da produção cultural adulta destinada às crianças; iii) são usados simbólica e estrategicamente nas relações de poder e sociabilidade que no seu seio se jogam. Ao redefinir o livro ilustrado como objecto de uso por parte das crianças, visa-se contribuir para a consciencialização da necessidade de i) reavaliar o papel do livro no quotidiano dos tempos e espaços do JI; ii) reavaliar as práticas de uso do livro ilustrado com crianças, em contexto institucional; iii) reconfigurar o livro como objecto cultural produtor de sentidos intersubjectivos; iv) reconfigurar o livro ilustrado como objecto de transacções sociais e apropriações culturais por parte das crianças que o usam, no grupo de pares; e, finalmente, v) rever as concepções de infância que presidem à escolha e selecção dos materiais impressos que são disponibilizados para uso das crianças.

Palavras-chave


Educação Infantil; Sociologia; Livros ilustrados

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DOI: https://doi.org/10.5007/1980-4512.2008n17p8

Zero-a-Seis, ISSN 1980-4512 Florianópolis, Brasil.