Culturas infantis: a reiteração e as concepções de tempo na Educação Infantil

Susana Angelin Furlan, José Milton de Lima, Márcia Canhoto de Lima

Resumo


O presente artigo retrata uma pesquisa realizada em um município no interior paulista que objetivou aprofundar o conhecimento sobre o eixo das Culturas da infância, a Reiteração, e sobre concepções de tempo infantil das professoras investigadas, bem como conhecer e analisar as reações das em relação a tais posicionamentos. Foram sujeitos da pesquisa duas professoras de duas salas do Infantil I, com as crianças de 3 a 4 anos de idade. A metodologia utilizada baseou-se no enfoque qualitativo, caracterizada como etnografia.. Verificou-se, a partir da bibliografia, que há várias concepções de tempo: Chronos, Kairós e Aión, sendo que o Chronos, o tempo das rotinas é o que mais impera dentro da escola. As crianças, porém, reinventam o tempo delas e assim criam o que nominamos de um novo entendimento de tempo, o Kaiônico, ou a reiteração, marcado pelo modo subjetivo de entender das crianças, brincando com as horas do relógio, parando-as e retomando-as quando querem.


Palavras-chave


Culturas infantis; Tempo; Educação Infantil

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DOI: https://doi.org/10.5007/1980-4512.2019v21n39p81

Zero-a-Seis, ISSN 1980-4512 Florianópolis, Brasil.