Pensar as crianças indígenas Kaingang pelos caminhos da Etnografia

Silvia Maria Alves de Almeida, Katia Adair Agostinho

Resumo


A composição deste artigo buscou aproximar-se de alguns elementos presentes no campo metodológico da etnografia, para então dialogar e problematizar a respeito dos desafios da pesquisa com crianças indígenas. Destaca-se a relação pesquisadora-crianças no campo da pesquisa e a produção da escrita etnográfica enquanto possibilidade de desconstrução de “verdades” que constituem o pensar as crianças e infâncias indígenas. A trajetória da etnógrafa no campo e sua relação com as crianças indígenas na pesquisa etnográfica se constitui por caminhos, leituras que demarcam as escolhas. Numa relação ética de olhar para si e para o “outro”, dos estranhamentos que marcam a travessia pela pesquisa e da multireferencialidade de olhares que nos colocam ao campo, a escrita aparece tecida na etnografia pela incompletude, profundidade complexidade de si e do campo que a significa.


Palavras-chave


Etnografia; Crianças indígenas; Relação pesquisador-adulto-crianças; Escrita

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DOI: https://doi.org/10.5007/1980-4512.2019v21n40p295

Zero-a-Seis, ISSN 1980-4512 Florianópolis, Brasil.