Campos de experiência ou campo da experiência?

Danilo Russo

Resumo


O tema deste artigo são os campos de experiência, que, já desde 1991, e ainda nas “Indicações nacionais...”, articulam, de forma original, a oferta de saberes da escola de educação infantil italiana. Pretende-se mostrar que as “Indicações” são o resultado provisório de uma tendência longa e potente de didatizar a escola de educação infantil, adequando-a às lógicas avaliativas da escola que segue. Os campos de experiência, com os seus 30 anos de vida e a sua centralidade, registram, de modo exemplar, o proceder dessa tendência, legível em versões posteriores, sobretudo, operacionais, que eles foram recebendo, aos poucos, em textos oficiais referentes ao mesmo tema, até chegarem às Indicações em vigor. A provocação linguística do título refere-se à torção à qual o conceito de campos de experiência é submetido, às aporias às quais ela conduz, e, enfim, a um modo diferente e possível de pensá-lo e usá-lo. Encerram o artigo, a título de post scriptum que se tornou urgente pelas circunstâncias, algumas considerações preliminares sobre como a COVID-19, fechando as escolas como lugar físico, desanuvia a situação e obriga, problematicamente, todos a repensarem as próprias opções.


Palavras-chave


Experiência/condutas; Ambiguidade; Brincadeira/currículo; Indeterminação

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.5007/1980-4512.2020v22n41p90

Zero-a-Seis, ISSN 1980-4512 Florianópolis, Brasil.