O encontro com Juan Carlos e os limites do conceito de “não acompanhado” em meio ao deslocamento forçado nas Américas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1980-4512.2021.e73863

Palavras-chave:

Crianças não acompanhadas, Migração infantil, Deslocamento forçado

Resumo

Em diversas partes do globo a chamada “crise migratória” passa a ocupar as manchetes e o interesse da opinião pública. Entre as “crises” mais recentes, encontra-se na década de 10 deste século o fluxo de crianças e adolescentes mexicanos e centro-americanos movendo-se de maneira considerada “não-acompanhada” por esta fronteira que aqui leva o nome de “cicatriz da desigualdade”. Muito mais que um espaço geográfico e de um obstáculo de arquitetura física, a fronteira México-Estados Unidos revela que o muro é composto por uma arquitetura legal e paralegal voltada à complexa e paradoxal função de proteger e punir o deslocamento forçado de crianças. Entre diversos encontros possibilitados pela pesquisa de campo para minha tese de doutorado, trago aqui o de Juan Carlos em que as circunstâncias desse encontro revelam os limites do conceito de “não acompanhado” estabelecido pelas instituições mexicanas.

Biografia do Autor

Elisa Sardão Colares, Conselho Nacional de Justiça

Doutora em Ciências Sociais pelo Departamento de Estudos Latino Americanos (ELA/UnB). Possui graduação em Ciência Política pela Universidade de Brasília (2006) e mestrado em Sociologia pela Universidade de Brasília (2009). Compõe o Colectiva Infancias, grupo de cientistas sociais latino-americanas que trabalham sobre temas fundamentais para a compreensão e o estudo das infâncias contemporâneas. É da carreira de Analista de Políticas Sociais e encontra-se atualmente como Pesquisadora no Conselho Nacional de Justiça. Atuou anteriormente no Conselho Nacional dos Direitos Humanos, na Secretaria de Políticas para as Mulheres na área de acesso à justiça de mulheres em situação de violência de gênero e no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em pesquisas sobre acesso à justiça e gestão do Judiciário. Tem experiência nas áreas de Políticas Sociais e de Pesquisas Empíricas, voltadas, principalmente, aos seguintes temas: infância, violência de gênero, cidadania, migração, acesso à justiça, gestão do judiciário e métodos de avaliação de políticas públicas.

 

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Publicado

2021-03-12