Ciência, opressão e teatro: um caso de pesquisa educacional baseada em artes

Autores

  • Leonardo Maciel Moreira Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Angélica Santana do Nascimento Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Laise Novellino Nunes de Souza Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.5007/1982-5153.2019v12n2p325

Palavras-chave:

Educação em ciências, Opressão, Teatro, Pesquisa educacional baseada em artes, Ensino superior

Resumo

A abordagem de temas controversos tem sido um caminho para evidenciar o vínculo entre ciência e contexto social, favorecendo a educação CTS. Esta pesquisa tem como objetivo identificar e caracterizar as percepções de um grupo de estudantes universitários sobre o tema controverso: relações entre ciência e opressão. O método utilizado foi a pesquisa educacional baseada em artes, adotando o Teatro do Oprimido como linguagem artística. Encontrou-se que, na percepção dos colaboradores, a ciência pode ser utilizada para oprimir e que a opressão por meio da ciência é caracterizada por similaridades com opressões impostas pelo mundo do trabalho, pela mídia e pelo sistema de educação. Os resultados sugerem que a discussão do tema ciência e opressão favorece o conhecimento sobre a ciência, podendo resultar em atitudes positivas para com ela, e sinalizam a proficuidade da pesquisa educacional baseada em artes para a educação em ciências.

Biografia do Autor

Leonardo Maciel Moreira, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Licenciado em Química pela Universidade Federal de Juiz de Fora, mestre em Ensino de Ciências e Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo. Professor Adjunto na área de ensino de química na Licenciatura em Química do Campus Macaé da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Desenvolve pesquisas sobre a interface Educação, Ciências e Arte e sobre Educação em Ciências e Educação para Relações Étnico-raciais. Orienta mestrado e doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Saúde (NUTES-UFRJ) e no Programa de Pós-graduação em Ensino de Química (IQ-UFRJ). Coordena o Projeto Ciênica (www.projetocienica.com.br).

Angélica Santana do Nascimento, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Bacharel em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi estagiária de extensão universitária no Projeto Ciência.

Laise Novellino Nunes de Souza, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Bacharel em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi estagiária de extensão universitária no Projeto Ciênica.

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Publicado

2019-11-29

Edição

Seção

Artigos