A noção de obstáculo didático institucional

Autores

  • Werventon dos Santos Miranda Secretaria Municipal de desenvolvimento Educacional de Nova Ipixuna
  • Francisco Hermes Santos da Silva Instituto de Educação Matemática e Científica, Universidade Federal do Pará
  • Renato Borges Guerra Instituto de Educação Matemática e Científica, Universidade Federal do Pará
  • José Messildo Viana Nunes Instituto de Educação Matemática e Científica, Universidade Federal do Pará

DOI:

https://doi.org/10.5007/1982-5153.2020v13n1p73

Palavras-chave:

Fração, Ensino fundamental, Obstáculo didático institucional

Resumo

As pesquisas sobre os obstáculos na aprendizagem da Matemática demonstram uma variedade de classificações, como as de ordem ontogenética, didática e epistemológica elencadas por Brousseau. Ainda existem contribuições de outros pesquisadores como os obstáculos emocionais e linguísticos. Nesse sentido, temos como objetivo caracterizar o Obstáculo Didático Institucional a partir de elementos que compõem as epistemologias institucionais presentes no ensino da Matemática em turmas do primeiro e segundo segmentos do ensino fundamental em relação ao objeto fração. Para alcançar esse objetivo, foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa de caráter bibliográfico. O resultado da pesquisa evidencia a existência de diferença na abordagem de ensino de fração entre os segmentos. Isto é denominado de Epistemologia Institucional, que se configura como um obstáculo didático no aprendizado de fração para os alunos que iniciam o segundo segmento do ensino fundamental. Em conclusão, apresentamos a Destransposição Didática como alternativa para enfrentar os obstáculos na transição.

Biografia do Autor

Werventon dos Santos Miranda, Secretaria Municipal de desenvolvimento Educacional de Nova Ipixuna

Doutor em Educação em Ciências e Matemáticas pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Professor na função de Orientador Pedagógico, lotado na SEMUDED - Secretaria Municipal de Desenvolvimento Educacional de Nova Ipixuna-PA, atualmente atua como Conselheiro Municipal de Educação.

Francisco Hermes Santos da Silva, Instituto de Educação Matemática e Científica, Universidade Federal do Pará

Doutor em Educação Matemática pela Universidade Estadual de Campinas. Docente aposentado da UFPA vinculado ao Mestrado Profissional em Ensino de Matemática da Universidade do Estado do Pará. Atuante nos temas: educação matemática, avaliação, quadro de escrever, aprendizagem significativa, Teoria dos Campos Conceituais e obstáculo didático.

Renato Borges Guerra, Instituto de Educação Matemática e Científica, Universidade Federal do Pará

Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual de Campinas. Docente da UFPA vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas da UFPA. Atuante principalmente nos seguintes temas: Teoria Antropológica do Didático e formação de professores.

José Messildo Viana Nunes, Instituto de Educação Matemática e Científica, Universidade Federal do Pará

Doutor em Educação Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Docente da UFPA vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas da UFPA, atuando principalmente nos seguintes temas: Argumentação em Matemática, História da Matemática, Didática da Matemática, Aprendizagem Significativa e Formação de Professores dos anos Iniciais.

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Publicado

2020-05-13

Edição

Seção

Artigos