Os dilemas do indefinido: utopia, fluidez e subjetividade em Stone, de Adam Roberts

André Cabral de Almeida Cardoso, Carla de Figueiredo Portilho

Resumo


http://dx.doi.org/10.5007/2175-8026.2017v70n2p107

O romance Stone é a narrativa em primeira pessoa de Ae, o único criminoso em uma utopia pós-humana na qual o uso da nanotecnologia levou a humanidade à plenitude. Nessa sociedade, Ae é um excluído. Um dia, porém, ele recebe uma proposta de liberdade e riqueza em troca de matar toda a população de um planeta. Ao aceitá-la, Ae deve tentar cumprir sua missão ao mesmo tempo em que se questiona e investiga quem o teria contratado. No conflito entre esse indivíduo desviante e a utopia, Stone examina os próprios limites dessa utopia, apoiada na ideia de fluxo e indefinição, e dos modelos de subjetividade que ela cria. A noção de utopia como um projeto social bem definido é trocada pela imagem de corpos utópicos, influenciados por tecnologias que põem em questão as definições de humano e pós-humano. Nessa rede de tensões e indefinições, levanta-se a possibilidade de que o indivíduo marginalizado e sociopata seria o único capaz de examinar de forma profunda a realidade num mundo anestesiado pelo conforto.


Palavras-chave


Utopia; Identidade; Fluidez; Pós-humano; Detetive Metafísico

Texto completo:

PDF/A

Referências


BAUMAN, Z. Utopia with No Topos. History of the Human Sciences, v. 16, n. 1, p. 11-25, 2003.

ECO, U. Apocalípticos e Integrados. São Paulo: Perspectiva, 1993.

FOUCAULT, M. Le Corps utopique. In: ______. Le Corps utopique suivi de Les Hétérotopies. s/c: Lignes, 2009. p. 7-20.

GOMEL, E. Mystery, Apocalypse and Utopia: The Case of the Ontological Detective Story. Science Fiction Studies, v. 22, n. 3, p. 343-56, 1995.

HAYCRAFT, H. Murder for Pleasure: The Life and Times of the Detective Story. Nova York: Appleton-Century, 1941.

HOLQUIST, M. Whodunit and Other Questions: Metaphysical Detective Stories in Post-War Fiction. New Literary History, v. 3, n. 1, Modernism and Postmodernism: Inquiries, Reflections, and Speculations, p. 135-156, 1971.

KLEIN, G. From the Images of Science to Science Fiction. In: PARRINDER, Patrick (org.). Learning from Other Worlds: Estrangement, Cognition, and the Politics of Science Fiction and Utopia. Durham: Duke UP, 2001. p. 119-126.

KRISTEVA, J. Approaching Abjection. In: ______. Powers of Horror: An Essay on Abjection. Trad. Leon S. Roudiez. Nova York: Columbia UP, 1982. p. 1-31.

MARCUSE, H. Éros et civilization. Paris: Minuit, 2007. [1ª. ed. em francês de 1963.]

MERIVALE, P.; SWEENEY, S.E. (orgs.). Detecting Texts: The Metaphysical Detective Story from Poe to Postmodernism. Filadélfia: U of Pennsylvania P, 1999.

NATTI, T. The Text is Suspect: The Author, the Detective and the Subjective in Auster’s City of Glass. 2004. Disponível em http://www.crimeculture.com/Contents/Articles-Spring05/Auster.html. Acesso em 01 novembro 2016.

ROBERTS, A. Stone. Londres: Gollancz, 2002.

_______. “Stone”. www.adamroberts.com. The latest news from author Adam Roberts. Disponível em http://www.adamroberts.com/writing/stone. Acesso em 01 novembro 2016.

SARGENT, L. T. The Three Faces of Utopianism Revisited. Utopian Studies, v. 5, n. 1, p. 1-37, 1994.

______. In Defense of Utopia. Diogenes, v. 53, n. 11, p. 11-17, fev. 2006.

SENNETT, R. The Culture of the New Capitalism. Edição Kindle. New Haven e Londres: Yale UP, 2006.




DOI: http://dx.doi.org/10.5007/2175-8026.2017v70n2p107

Direitos autorais 2017 André Cabral de Almeida Cardoso, Carla de Figueiredo Portilho

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

 

http://www.periodicos.ufsc.br/public/site/images/arcorseuil/logotipo_revistas_cor_482_347

http://www.periodicos.ufsc.br/public/site/images/arcorseuil/governo_logo60anos_600_1_600

Revista Ilha do Desterro A Journal of English Language, Literatures in English and Cultural Studies, ISSN - 2175-8026, Florianópolis, Brasil.

Creative Commons Licence
This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.