O desenvolvimento do padrão de Voice Onset Time das oclusivas surdas iniciais do inglês por aprendizes soteropolitanos: efeitos da instrução explícita

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8026.2020v73n3p185

Palavras-chave:

VOT, Oclusivas Surdas Iniciais, Instrução Explícita.

Resumo

Neste trabalho, investigamos o efeito da instrução explícita de pronúncia no desenvolvimento do padrão de Voice Onset Times (VOT) das oclusivas surdas iniciais do inglês como língua não nativa por aprendizes soteropolitanos. O estudo contou com três coletas de dados, um pré-teste, um pós-teste imediato e um pós-teste postergado, de 16 aprendizes soteropolitanos, divididos em grupos controle e experimental, e com uma sessão de instrução sobre a produção das oclusivas surdas iniciais do inglês. Análises acústicas do VOT são reportadas. Os resultados revelaram que o grupo controle, que não recebeu instrução, não produziu o padrão de VOT esperado para o inglês em nenhuma das coletas. Por outro lado, no grupo experimental, que recebeu instrução explícita, pudemos notar um aumento considerável na duração das oclusivas da L2. Nossos dados revelam efeitos positivos da instrução explícita de pronúncia para o desenvolvimento do VOT da L2 e vão ao encontro de Sancier e Fowler (1997) e Autor 1 (2016), que afirmam que brasileiros são capazes de atingir produções estatisticamente próximas ao esperado para o inglês, ao menos no que concerne ao VOT.

Biografia do Autor

Felipe Flores Kupske, Universidade Federal da Bahia

Professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura (PPGLinC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Líder do Laboratório de Ciências da Fala (LAFALA). Seu e-mail é kupske@gmail.com. ORCID 0000-0002-0616-612X.

Michele Santos de Oliveira, Universidade Federal da Bahia

Bacharel em Letras pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Seu e-mail é micheleolliveira96@gmail.com. ORCID: 0000-0002-2757-8916.

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Publicado

2020-10-22