A progenitora obstinada: apontamentos sobre a representação da maternidade Igbo na prosa de Buchi Emecheta e Chimamanda Ngozi Adichie

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8026.2021.e74004

Palavras-chave:

Buchi Emecheta, Chimamanda Ngozi Adichie, Gênero, Maternidade, Colonização

Resumo

Este trabalho se propõe a analisar aspectos da representação da maternidade igbo em duas narrativas de escritoras nigerianas, o romance As alegrias da maternidade (1979), de Buchi Emecheta, e o conto A historiadora obstinada (2009), de Chimamanda Ngozi Adichie, avaliando como a experiência materna das protagonistas reflete os desejos e objetivos comuns que as une (ou aparta) enquanto mulheres de um mesmo grupo étnico. Almejamos ainda sopesar as representações femininas que escapam à idealização da mãe perfeita, aferindo como estas “outras” ajudam a reforçar o rigoroso padrão de comportamento a todas imposto, relegando-as à busca de um parâmetro ou protótipo de conduta que muitas vezes obsta sua autorrealização pessoal. Contamos, para tal, com o auxílio de teóricas como Umeh (1996), Stratton (1994), Robolin (2013), Christian (1994) e Segato (2012), entre outras.

Biografia do Autor

Rodolfo Moraes Farias, UFPB

Mestre em Estudos Literários. Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba. Membro do grupo de pesquisa GeÁfricas.

Vanessa Riambau Pinheiro, UFPB

Vanessa Riambau Pinheiro é doutora em Literatura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Desde 2012, é Professora Adjunta na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde atua na graduação e na pós-graduação. Tem quatro livros publicados na área de crítica literária.

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Publicado

2021-01-28

Edição

Seção

Contextos literários: gênero, identidade e resistência