Antecipação, complexidade narrativa e o melodrama paternal em This is Us

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8026.2021.e74914

Palavras-chave:

melodrama, controle temporal, excesso, ficção seriada

Resumo

Este artigo pretende apontar reconfigurações na matriz do melodrama através de um estudo de caso da série This is us (2016 - ). Partindo da análise da obra, observamos como as tradições do melodrama maternal são atualizadas no que propomos definir como melodrama paternal, construindo uma imagem de masculinidade que recupera noções de cuidado e sensibilidade, restituindo valores familiares. Apontamos também como esta série de sucesso se apresenta como inovadora através do uso intenso do controle temporal em uma narrativa não linear que, também neste ponto, acaba por atualizar outro elemento estético fundamental do melodrama: a antecipação.

Biografia do Autor

Carolina Oliveira do Amaral, Pós-Doutoranda no PPGCINE-UFF através do programa Faperj Nota 10 (PDR-10, 2019).

Professora, pesquisadora e roteirista que atua no campo de Roteiro, Narrativa e Cinema de Gênero. Formada em 2011 em Cinema pela UFF e desde 2007 trabalha no audiovisual nas áreas de produção, direção e criação. Doutora e Mestre pelo PPGCOM-UFF, na linha de pesquisa "Estudos de Cinema e Audiovisual". Trabalhou como professora na Escola de Cinema Darcy Ribeiro (2016), na graduação em Cinema da UFF (2013-2018) e em oficinas de roteiro para escolas públicas municipais, estaduais e federais. Em 2017, integrou a equipe de pesquisa "Cine, Cultura y Sociedad" da Universidad de Zaragoza, Espanha. Atualmente, é coordenadora do ST Estudos de Roteiro da Socine (2020-2022) e desenvolve pelo PPGCINE-UFF a pesquisa de pós-doutorado "Conforto Narrativo: melodrama, crise e catarses de ficções seriadas televisivas" (Faperj, PDR10 2019), sob supervisão de Mariana Baltar Freire.

Mariana Baltar, Professora do PPGCINE-UFF e do Departamento de Cinema da UFF.

Professora do PPGCine - UFF e bolsista Cnpq (Pq-2), coordenadora do Nex - Núcleo de Estudos do Excesso nas Narrativas Audiovisuais

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Publicado

2021-01-28

Edição

Seção

Narrativas audiovisuais na contemporaneidade