O paradoxo traumático: documentários, ficções históricas e eventos passados cataclísmicos

Janet Walker

Abstract


Numa aula sobre documentários, no contexto de uma introdução a um curso sobre cinema, pedi a meus alunos que definissem “documentário” a partir da especulação sobre quais seriam os seus limites. Apropriadamente, A Lista de Schindler surgiu, fazendo com que a discussão se deslocasse para questões de ficção histórica e documentários. Nosso entusiasmo foi interrompido por uma ávida aluna sentada à frente que exclamou: “Mas o filme não pode ser um documentário porque nenhum desses eventos realmente aconteceu. Eu não acredito no Holocausto.” Muitas vezes pensei naquela aluna, desde aquela aula. Ponderei que, ou ela representa a guinada pósmoderna no novo historicismo por excelência (sua completa aceitação da ausência de provas históricas, da inacessibilidade do passado, transportando-a para além de uma crença antiquada e teoricamente ingênua em um cosmo material abordável a partir de um ponto de observação objetivo), ou talvez ela seja apenas mal-informada. Ou, talvez exista uma terceira alternativa sobre a qual me referirei adiante. Neste caso, felizmente, minha hesitação pedagógica deu chance para que os outros alunos interviessem. E as intervenções foram indiretas e bastante úteis.


Keywords


English Language; English



DOI: https://doi.org/10.5007/%25x

Copyright (c) 1997 Janet Walker

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