Enunciações do feminismo decolonial a partir das categorias fundamentais ranganathianas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1518-2924.2023.e92696

Palavras-chave:

Feminismo deconolonial, Decolonialidade, Justiça social, S. Ranganathan, Gênero

Resumo

Objetivo: identificar os conceitos que compõe as enunciações feministas decoloniais, no sentido de reconhecê-las e melhor compreendê-las dentro do contexto em que são produzidas, significadas e acionadas na proposição de políticas e condutas de vida em sociedade. A justificativa para o desenvolvimento do estudo é, inicialmente, por se reconhecer e defender o feminismo como um movimento genuíno de justiça social que tem, como prerrogativa, a defesa de todas as pessoas humanas, independentemente de seu gênero; também por buscar defender que as enunciações e ações do feminismo decolonial, alargam as fronteiras e aprofundam as questões de base da própria decolonialidade, e por fim, por propor, de modo introdutório, um quadro conceitual feminista decolonial que potencialize o reconhecimento da complexidade e das urgências evidenciadas pelo movimento e que merecem compor as agendas dos estudos informacionais, uma vez que as causas pelas quais se lutam no escopo desta plataforma, dizem respeito, antes de mais nada, a defesa dos direitos humanos.

Método: o estudo segue em um percurso metodológico ancorado nas Categorias Fundamentais propostas por S. Ranganathan: Personalidade, Matéria, Energia, Espaço e Tempo (PMEST), como base de sustentação para a composição de uma apresentação introdutória dos conceitos e expressões que compõem as enunciações feministas decoloniais.

Resultado: se constatou, mais uma vez, que a proposta biblioteconômica Ranganathiana viabiliza a compreensão de domínios do conhecimento para além se suas estruturas linguísticas.

Conclusões: No que se refere ao feminismo decolonial foi possível reconhecer, pelas enunciações deste movimento, o quanto ele se sustenta enquanto Espaço (no sentido Ranganathiano) profícuo para um pensar e um agir social e que, por isso, tem muito a agregar a todas as Ciências incluindo, a da Informação.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marília Winkler de Morais, Universidade Federal de São Carlos

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, atualmente desenvolve a pesquisa "A decolonialidade e o feminismo decolonial revistos a partir das categorias PMEST de Ranganathan". É bacharela em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela UFSCar. Desenvolveu Iniciação Científica na área de representação do conhecimento em ambientes digitais com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP (2018-2019). Foi membro do Programa de Educação Tutorial de Biblioteconomia e Ciência da Informação (PET BCI) em 2015

Luciana de Souza Gracioso, Universidade Federal de São Carlos

Pós-doutorado em Ciência da Informação pela Universidade de Coimbra (2019). Doutora em Ciência da Informação pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e Universidade Federal Fluminense (2008). Professora Associada III no Departamento de Ciência da informação da UFSCar. Chefe do Departamento de Ciência da Informação (2019-). Foi Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciência da informação - PPGCI (2016 - 2017) e Coordenadora de Curso de Graduação (2009-2014). Atua como docente permanente no PPGCI e no Programa de Pós Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (PPGCTS). 

Referências

AHMED, Tanveer.Towards a decolonial feminist fashion design reading list. Art Libraries Journal, [s.l.], v. 47, n. 1, p.9-13. 2022.

ALONSO-ARBIOL, Itiziar; BOBOWIK, Magdalena. Grupos de mujeres y ocio como herramientas de integración social con inmigrantes latinoamericanas. Inclusão Social, Brasília, v. 13, n. 2, 2020.

ALMEIDA, Carlos Candido. Epistemologias feministas e ciência da informação: notas introdutórias. Informação & Informação, Londrina, v. 26, n. 4, p. 48-75, 2021.

JANUÁRIO, Letícia Azevedo. O ser mulher cientista em uma Universidade Portuguesa. 2022. 267 f. Tese (Doutorado em Ciência, Tecnologia e Sociedade) - Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2022.

BARROSO, Danielle, GOMES, Elisângela, VALÉRIO, Erinaldo Dias, SILVA, Franciéle Carneiro Garcês, LIMA, Graziela dos Santos (Org.). Epistemologias Negras: Relações raciais na Biblioteconomia. Florianópolis, SC: Rocha Gráfica e Editora, 2019. (Selo Nyota). 312 p.

BENVENISTE, Émile. O aparelho formal da enunciação. In: BENVENISTE, Émile. Problemas de Lingüística Geral II. São Paulo: Pontes, 1989. p. 81-92.

CARNEIRO, Sueli. Enegrecer o feminismo: A situação da mulher negra na América Latina. Geledés, São Paulo, 6 mar. 2011. Disponível em: https://www.geledes.org.br/enegrecer-o-feminismo-situacao-da-mulher-negra-na-america-latina-partir-de-uma- perspectiva-de-genero/. Acesso em: 18 nov. 2022.

CARNEIRO, Sueli. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil. São Paulo: Selo Negro, 2011.

CASTRO, Susana. O que é o feminismo decolonial. Revista Cult, São Paulo, v. 27, n. 321, p. 44-48, out. 2022. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/dossie-o-que-e-o-feminismo-decolonial/. Acesso em: 20 de janeiro de 2023.

COSTA, Luzia Sigoli Fernandes. Uma contribuição da teoria literária para a análise de conteúdo de imagens publicitárias do fim do século XIX e primeira metade do século XX, contemplando aspectos da natureza brasileira / Luzia Sigoli Fernandes Costa. --2008. 261 f.: il. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista UNESP, Marília, 2008.

CURIEL, Ochy. Construindo metodologias feministas a partir do feminismo decolonial. In.: HOLLANDA, Heloísa Buarque de. (Org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do tempo, 2020. p. 121-138.

DAVIS, Angela. Mulheres, cultura e política. São Paulo: Boitempo 2017.

ESPINOSA-MIÑOSO, Yuderkys. Una crítica descolonial a la epistemología feminista crítica. In: FAZENDO GÊNERO, 11, 2013, Brasília. Anais eletrônicos... Brasília: Universidade de Brasília, 2013. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/325/32530724004.pdf. Acesso em: 28 jan. 2023.

HOLLANDA, Heloísa Buarque de. (Org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do tempo, 2020. p. 321-341.

Hooks, Bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. 16 ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2021.

LUGONES, María. Colonialidad y género. In: MIÑOSO, Yuderskys Espinosa; CORREAL, Diana Gómez; MUÑOZ, Karina Ochoa (ed.). Tejiendo de outro modo: feminismo, epistemologia y apuestas descoloniales em Abya Yala. Popayán: Editorial Universidad del Cauca, 2014. pp. 57-73.

LUGONES, María. Colonialidade e gênero. In: HOLLANDA, H. B. de. Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020.

LUGONES, María. Rumo a um feminismo decolonial. Revista de Estudos Feministas, Florianópolis, v.22, n.2, p.320, 2014.

MORAES, Marília Winkler; GRACIOSO, Luciana de Souza. Contribuições de Ranganathan para evidenciação do pensamento decolonial. Múltiplos olhares em ciência da informação, Belo Horizonte, p. 1-19, 2022.

MORAES, Marília Winkler; GRACIOSO, Luciana de Souza. Congruências entre os princípios decoloniais e os estudos informacionais: considerações introdutórias com base nas produções do GT 2 ENANCIB. In: ENANCIB, 21., 2021, Rio de Janeiro. Anais eletrônicos... Rio de Janeiro: ANCIB, 2021. p. 1-14.

MORTARI, Claudia ; WITTMANN, Luisa Tombini (Org.). Diálogos sensíveis: produção e circulação de saberes diversos. Florianópolis, SC: Rocha Gráfica e Editora, 2020a. (Selo Nyota). 606 p.

MORTARI, Claudia; WITTMANN, Luisa Tombini (Org.). Narrativas Insurgentes: decolonizando conhecimentos e entrelaçando mundos. Florianópolis, SC: Rocha Gráfica e Editora, 2020b. (Selo Nyota, Coleção AYA, v. 1).392 p.

PAREDES, Julieta. Hilando Fino. Desde el feminismo comunitário. La Paz: Cooperativa El Rebozo, 2010.

QUIJANO, Aníbal. Coloniality of power, ethnocentrism, and Latin America. Nepantla: Views from South, v. 1, n. 3, p. 533-580, 2000.

ROMEIRO, Nathália Lima (Org.). Informação, diálogo e ações para enfrentamento à violência contra meninas e mulheres. Florianópolis, SC: Rocha Gráfica e Editora, 2022. (Selo Nyota). 440 p.

ROMEIRO, Nathália Lima. #Vamosfazerumescandalo: folksonomia e ativismo digital. Florianópolis, SC: Rocha Gráfica e Editora, 2021. (Selo Nyota). 280 p.

SALDANHA, Gustavo Silva. Sem e cem teorias críticas em ciência da informação Autorretrato da teoria social e o método da crítica nos estudos informacionais, uma bibliografia benjaminiana aberta. In: BEZERRA, Arthur Coelho, et al. iKrítika: estudos críticos em informação. Rio de Janeiro: Garamond, 2019.

SCARTASSINI, Verônica Barbosa; BARROS, Thiago Henrique Bragato. Feminismo e ciência da informação: uma abordagem a partir da análise do discurso. Informação & Informação, v. 26, n. 3, p. 450-477, 2021.

SEGATO, Rita Laura. Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um vocabulário estratégico descolonial. E-cadernos CES, n. 18, p. 1-27, 2012.

SILVA, Franciéle Carneiro Garcês (Org.). Bibliotecári@s negr@s: Perspectivas feministas, antirracistas e decoloniais em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Florianópolis, SC: Rocha Gráfica e Editora; Selo Nyota, 2021. 370 p.

SILVA, Franciéle Carneiro Garcês; LIMA, Graziela dos Santos (Org.) Bibliotecári@s Negr@s: informação, educação, empoderamento e mediações. Florianópolis, SC: Rocha Gráfica e Editora, 2019. (Selo Nyota).

SILVA, Franciéle Carneiro Garcês; LIMA, Graziela dos Santos (Org.). Bibliotecári@s Negr@s: ação, pesquisa e atuação política. Florianópolis, SC: Associação Catarinense de Bibliotecários, 2018a. 498 p.

SILVA, Franciéle Carneiro Garcês; ROMEIRO, Nathália Lima (Org.). O protagonismo da Mulher na Biblioteconomia e Ciência da Informação. Florianópolis: ACB, 2018b. 526 p.

SILVA, Franciéle Carneiro Garcês (Org.). Mulheres negras na Biblioteconomia. Florianópolis, SC: Rocha Gráfica e Editora, 2019. (Selo Nyota). 340 p.

SILVA, Franciéle Carneiro Garcês; ROMEIRO, Nathália Lima (Org.). O protagonismo da mulher na Arquivologia, Biblioteconomia, Museologia e Ciência da Informação. Florianópolis, SC: Rocha Gráfica e Editora, 2019. (Selo Nyota). 618 p.

SILVA, Franciéle Carneiro Garcês; ROMEIRO, Nathália Lima (Org.). O protagonismo da mulher na biblioteconomia e ciência da informação: celebrando a contribuição intelectual e profissional de mulheres latino-americanas. Florianópolis, SC: Rocha Gráfica e Editora, 2020. (Selo Nyota). 490 p.

SILVA, Franciéle Carneiro Garcês; ROMEIRO, Nathália Lima (Org.). O protagonismo da Mulher na Biblioteconomia e Ciência da Informação. Florianópolis: ACB, 2018. 526 p.

VÉRGE, Françoise. Um feminismo decolonial. São Paulo: Ubu, 2020.

VERGÈS, Françoise. Un féminisme décolonial. Éditions La Fabrique, 2020.

Publicado

2023-05-05

Como Citar

WINKLER DE MORAIS, Marilia; GRACIOSO, Luciana de Souza. Enunciações do feminismo decolonial a partir das categorias fundamentais ranganathianas. Encontros Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação, [S. l.], v. 28, n. Dossie Especial, p. 1–20, 2023. DOI: 10.5007/1518-2924.2023.e92696. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/92696. Acesso em: 23 maio. 2024.

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.