Construtivismo normativo sentimentalista
DOI:
https://doi.org/10.5007/1677-2954.2026.e109766Palavras-chave:
construtivismo, normatividade, virtude, sentimentalismo, aprovaçãoResumo
Articulo uma nova abordagem construtivista do problema da normatividade das demandas morais que fornece um meio-termo entre o construtivismo kantiano e o construtivismo humeano. Essa abordagem combina uma forma modesta de construtivismo normativo com uma teoria neo-sentimentalista da virtude. Sustento que esta abordagem pode evitar a tese humeana de que a normatividade de demandas morais depende das atitudes valorativas contingentes de um agente, sem aceitar o projeto kantiano ambicioso de derivar conteúdo moral da razão prática como tal. O argumento a ser desenvolvido é o seguinte: (1) todo juízo normativo implica uma descrição parcial da virtude; (2) a concepção neo-sentimentalista de virtude impõe restrições substanciais à concepção de virtude que um agente pode sustentar coerentemente; (3) isso nos fornece um teste de coerência para padrões de valoração e (4) é possível mostrar que padrões de valoração que violam certas restrições morais falham nesse teste. A conclusão é que certas restrições morais se seguem, sob pena de incoerência, da perspectiva prática de qualquer agente afetivo que avalia outros agentes em termos de virtude e vício.
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