O design de tecnologias energéticas como um projeto sensível a valores
DOI:
https://doi.org/10.5007/1677-2954.2026.e110627Palabras clave:
filosofia da tecnologia, transição energética, design sensível a valor, design sociotécnicoResumen
Este artigo investiga os fundamentos filosóficos do design tecnológico no contexto da transição energética. Argumenta-se que a energia constitui um inevitável problema tecnológico da modernidade. No entanto, mais que um desafio técnico, este imperativo configura-se como um problema filosófico complexo, demandando reflexão crítica sobre seus fins e valores subjacentes. Diante da inevitável necessidade da ampliação e da diversificação da matriz energética, a questão central desloca-se do "como" técnico para o "porquê" e o "para quê" ético e sociotécnico. A análise demonstra que a concepção, a implementação e o descarte de tecnologias energéticas são práticas sociotécnicas saturadas de valores, que materializam visões de mundo, projetos de sociedade e hierarquias de poder. Conclui-se que a transição energética não pode ser orientada exclusivamente por critérios técnico-econômicos, sob pena de reproduzir assimetrias e externalidades negativas. Propõe-se, como alternativa, a construção de um quadro normativo pluridimensional — sensível a valores éticos, ambientais e culturais — e a adoção de uma abordagem capaz de articular tensionamentos valorativos. Defende-se, por fim, que o desenvolvimento energético deve orientar-se pelo princípio da sabedoria prática, entendido aqui como um critério normativo que exige a deliberação prudencial entre múltiplos valores em conflito, articulando dimensões técnicas, éticas, ambientais e sociais na tomada de decisão sociotécnica. Esse princípio não se reduz a um conjunto fixo de regras, mas opera como uma competência reflexiva capaz de avaliar contextos concretos e orientar escolhas responsáveis no design tecnológico.
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