O conceito de solidariedade em Hauke Brunkhorst, Andrea Sangiovanni e Rainer Forst
DOI:
https://doi.org/10.5007/1677-2954.2026.e111050Palavras-chave:
solidariedade, democracia, ação conjunta, contextos da justiça, teoria críticaResumo
A solidariedade tem sido, há muito tempo, um conceito negligenciado na investigação filosófica. Do ponto de vista da definição nominal, “solidariedade” advém do latim “solidus” que denota algo sólido e apoio, de modo que a ação solidária significa apoiar alguém em uma situação de necessidade. Em termos conceituais, este artigo apresenta três abordagens acerca da solidariedade a partir de Brunkhorst, Sangiovanni e Forst. Brunkhorst reconstrói o percurso do conceito de solidariedade desde a Grécia antiga passando pela amizade cívica em Aristóteles, pela tradição do nacionalismo cívico, pela Revolução Francesa até chegar à ideia de solidariedade democrática global. Sangiovanni defende a solidariedade a partir do conceito de ação conjunta (joint action) apresentando condições fundamentais para o ato solidário que têm como ponto em comum o comprometimento mútuo objetivando superar uma adversidade mediante uma ação livre. Ele reconstrói a solidariedade em três tradições: socialista, nacionalista, cristã. Forst, por sua vez, concorda com Brunkhorst, segue o conceito de “ação compartilhada” de Sangiovanni e avança na proposta de uma justificação normativa da solidariedade por meio dos contextos ético, moral, jurídico e político do ato de solidariedade. Nesse sentido, a tese de Forst é a de que a solidariedade é um conceito normativamente dependente, pois depende de outros contextos normativos para sua definição. Ela não é autossuficiente e não possui um significado unívoco. Forst sustenta que a comunidade de solidariedade não pode restringir-se ao Estado-nação, uma vez que os Estados estão inseridos em estruturas transnacionais de cooperação. Consequentemente, a solidariedade deve ser estendida para além das fronteiras nacionais se se pretende superar as injustiças globais por meio de princípios de justiça transnacional. Apesar de suas diferentes abordagens sobre a solidariedade, eles têm em comum a perspectiva crítico-emancipatória da solidariedade segundo o qual a ela não é um conceito essencialista, mas uma atitude prática, libertadora e democrática. A mensagem fundamental desses autores é que é necessário repensar um conceito perdido dentro da Teoria Crítica, da filosofia política e das teorias da justiça: o conceito de solidariedade.
Referências
BRUNKHORST, Hauke. Solidarity: from civic friendship to a global legal community. Translated by Jeffrey Flynn. Cambridge, MA: The MIT Press, 2005.
DURKHEIM, Émile. The division of labour in society. Translated by W. D. Halls. London: MacMillan Press Ltd, 1984.
FLYNN, Jeffrey. Translator’s introduction. In: Solidarity: from civic friendship to a global legal community. Translated by Jeffrey Flynn. Cambridge, MA: The MIT Press, 2005.
FORST, Rainer. Solidarity: concept, conceptions, and contexts. Frankfurt am Main: Normative Ordnungen, 2021.
FORST, Rainer. Justification and critique: towards a critical theory of politics. Translated by Ciaran Cronin. Cambridge, UK: Polity Press, 2014.
FORST, Rainer. The right to justification: elements of a constructivist theory of justice. Transl. by Jeffrey Flynn. New York: Columbia University Press, 2012.
FORST, Rainer. Contexts of justice: political philosophy beyond liberalism and communitarianism. Translated by John Farell. Los Angeles: University California Press, 2002.
FRASER, Nancy. Rethinking the public sphere: a contribution to the critique of actually existing democracy. In: Habermas and the public sphere. Ed. Craig Calhoun Cambridge, Mass.: MIT Press, 1992, p. 99-142.
HABERMAS, Jürgen. The crisis of the European Union: a response. Translated by Ciaran Cronin. Cambridge, UK: Polity Press, 2012.
HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Elements of the philosophy of right. Translated by Allen Wood. New York: Cambridge University Press, 1991.
HONNETH, Axel. The struggle for recognition: the moral grammar of social conflict. Translated by Joel Anderson. Cambridge, UK: Polity Press, 1995.
KANT, Immanuel. Metaphysik der Sitten (MS). In: Gesammelte Schriften, Vol. VI. königlich preussischen Akademie der Wissenschaft. Berlin: De Gruyter, 1980.
NOZICK, Robert. Anarchy, state, and utopia. New York: Basic Books, 1974.
RAWLS, John. Political liberalism. New York: Columbia University Press, 1993.
SANGIOVANNI, Andrea. Solidarity as join action. Journal of Applied Philosophy. 2015. Malden, MA. DOI: 10.1111/japp.12130
SANTOS, Boaventura de Sousa. Derecho y emancipación. Quito: Corte Constitucional del Ecuador, 2012.
SANTOS, Boaventura de Sousa; RODRÍGUEZ-GARAVITO, César. Law, politics, and the subaltern in counter-hegemonic globalization. In: Law and Globalization from below: towards a cosmopolitan legality. Edited by Boaventura de Sousa Santos; César Rodríguez-Garavito. New York: Cambridge University Press, 2005, p. 1-26.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Francisco Jozivan Guedes de Lima

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores retêm os direitos autorais e direitos de publicação sobre suas obras, sem restrições.
Ao submeterem seus trabalhos, os autores concedem à revista ethic@ o direito exclusivo de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (CC BY) 4.0 International. Essa licença permite que terceiros remixem, adaptem e criem a partir do trabalho publicado, desde que seja dado o devido crédito de autoria e à publicação original neste periódico.
Os autores também têm permissão para firmar contratos adicionais, separadamente, para distribuição não exclusiva da versão publicada do trabalho neste periódico (por exemplo: depositar em repositório institucional, disponibilizar em site pessoal, publicar traduções ou incluí-lo como capítulo de livro), desde que com reconhecimento da autoria e da publicação inicial na revista ethic@.
