É possível retomar o controle? Democracia na era da dupla crise do capitalismo neoliberal
DOI:
https://doi.org/10.5007/1677-2954.2026.e111120Palavras-chave:
capitalismo neoliberal, globalização neoliberal, governança global, democracia, estado Keynesiano-PolanyianoResumo
Este artigo reconstrói e avalia a proposta de Wolfgang Streeck de uma forma de Estado e de relações estatais keynesiano-polanyianas, como um caminho para lidar com o que o autor chama de crise dupla do capitalismo neoliberal. Streeck argumenta que essa forma de Estado
permitiria a renovação democrática, reacoplando a economia à sociedade. Com base em seu livro Taking Back Control? e em outras publicações sobre democracia, o artigo argumenta que, embora Streeck ofereça uma explicação convincente da dissociação estrutural entre capitalismo e democracia sob a globalização neoliberal, sua reconstrução da agência democrática permanece normativamente subdeterminada. A primeira parte apresenta a tese de Streeck sobre uma dupla crise do capitalismo neoliberal, com base também em insights complementares de Wendy Brown. A segunda parte examina o modelo keynesiano-polanyiano. A seção final identifica uma lacuna teórica. Embora Streeck insista que a democracia deve ser redistributiva em vez de tecnocrática, ele se abstém de especificar a arquitetura institucional e normativa capaz de sustentar tal projeto. O artigo argumenta que, sem uma explicação mais explícita da legitimidade democrática, da agência coletiva e da mediação institucional, o modelo keynesiano-polanyiano corre o risco de depender das mesmas bases democráticas que o neoliberalismo corroeu. Ao esclarecer essa tensão, o artigo conclui que, embora Streeck apresente uma análise instigante das consequências da globalização neoliberal, o autor não desenvolve plenamente uma solução realizável para a questão de como (se possível) restaurar as bases da vida democrática.
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