A centralidade da reciprocidade em Rawls: uma reavaliação
DOI:
https://doi.org/10.5007/1677-2954.2026.e111465Schlagworte:
reciprocidade equitativa, justiça como reciprocidade, justiça relacionalAbstract
O artigo examina o papel da reciprocidade na teoria da justiça de John Rawls e sustenta que ela não deve ser entendida apenas como um valor associado à justiça como equidade, mas como elemento constitutivo do próprio conceito de justiça. A partir de uma reconstrução do texto de Justice as Reciprocity, argumenta-se que a reciprocidade fornece a base normativa que conecta a rejeição de distinções arbitrárias à exigência de uma distribuição adequada de benefícios e encargos no interior de práticas sociais compartilhadas. Nessa perspectiva, a reciprocidade não se reduz à troca de vantagens, mas exprime uma estrutura relacional fundada na justificação mútua entre pessoas livres e iguais. O artigo também considera a leitura de Andrew Lister, segundo a qual certos deveres de justiça visam constituir uma relação de reconhecimento mútuo entre iguais, o que permite esclarecer o caráter relacional da justiça rawlsiana e seus desdobramentos em debates contemporâneos.
Literaturhinweise
BUCHANAN, Allen. Justice as reciprocity versus subject-centered justice. Philosophy and Public Affairs, v. 19, n. 3, p. 227–252, 1990.
CANEY, Simon. Global interdependence and distributive justice. Review of International Studies, v. 31, n. 2, p. 389–399, 2005.
FREEMAN, Samuel. Introduction. In: RAWLS, John. Collected papers. Edited by Samuel Freeman. Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1999. p. ix–xii.
FREEMAN, Samuel. Rawls. London: Routledge, 2007.
LEFEBVRE, Alexandre. Liberalism as a way of life. Princeton, NJ: Princeton University Press, 2024.
LISTER, Andrew. Justice as fairness and reciprocity. Analyse & Kritik, v. 33, n. 1, p. 93–112, 2011. DOI: 10.1515/auk-2011-0108.
MOELLENDORF, Darrel. Cosmopolitan justice. Boulder, CO: Westview Press, 2002.
MOURA, Julia. Liberalismo político e razão pública: uma análise crítica do modelo de convergência e assimetria da justificação pública. Revista Seara Filosófica, n. 26, p. 44–61, 2024. DOI: 10.15210/sf.vi26.25070.
NAGEL, Thomas. The problem of global justice. Philosophy & Public Affairs, v. 33, n. 2, p. 113–147, 2005.
NUSSBAUM, Martha C. Frontiers of justice: disability, nationality, species membership. Cambridge, MA: Belknap Press of Harvard University Press, 2006.
PAGE, Edward A. Fairness on the day after tomorrow: justice, reciprocity and global climate change. Political Studies, [S.l.], v. 55, n. 1, p. 225-242, mar. 2007. DOI: 10.1111/j.1467-9248.2007.00649.x.
POGGE, Thomas. World poverty and human rights: cosmopolitan responsibilities and reforms. Cambridge: Polity Press, 2002.
RAWLS, John. A ideia de razão pública revisitada. In: RAWLS, John. O liberalismo político. Tradução de Álvaro de Vita. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.
RAWLS, John. Justice as fairness: a restatement. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2001.
RAWLS, John. Justice as fairness: political not metaphysical. In: FREEMAN, Samuel (org.). John Rawls: collected papers. Cambridge, Mass.: Harvard University Press, p. 388–414, 1999.
RAWLS, John. Justice as reciprocity. In: FREEMAN, Samuel (org.). John Rawls: collected papers. Cambridge, Mass.: Harvard University Press, p. 190-224, 1999.
RAWLS, John. O liberalismo político. Tradução de Álvaro de Vita. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.
WEITHMAN, Paul. Public reason, cheap talk, and signaling games. In: WALL, Steven (ed.). Oxford studies in political philosophy. Oxford: Oxford University Press, v. 11, 2025. (No prelo). DOI: 10.1093/9780198958666.003.0010.
WEITHMAN, Paul. Why political liberalism? On John Rawls’s political turn. New York: Oxford University Press, 2010.
Downloads
Veröffentlicht
Ausgabe
Rubrik
Lizenz
Copyright (c) 2026 Julia Sichieri Moura, Raquel Cipriani

Dieses Werk steht unter der Lizenz Creative Commons Namensnennung 4.0 International.
Os autores retêm os direitos autorais e direitos de publicação sobre suas obras, sem restrições.
Ao submeterem seus trabalhos, os autores concedem à revista ethic@ o direito exclusivo de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (CC BY) 4.0 International. Essa licença permite que terceiros remixem, adaptem e criem a partir do trabalho publicado, desde que seja dado o devido crédito de autoria e à publicação original neste periódico.
Os autores também têm permissão para firmar contratos adicionais, separadamente, para distribuição não exclusiva da versão publicada do trabalho neste periódico (por exemplo: depositar em repositório institucional, disponibilizar em site pessoal, publicar traduções ou incluí-lo como capítulo de livro), desde que com reconhecimento da autoria e da publicação inicial na revista ethic@.
