Análise da complexidade de itens do ENADE à luz da Taxonomia de Bloom Revisada: contributos ao ensino de Física

Autores

  • João Paulo de Castro Costa Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, Campus Timóteo, MG http://orcid.org/0000-0002-6861-5613
  • Maria Inês Martins Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7941.2017v34n3p697

Palavras-chave:

ENADE, Licenciatura em Física, Taxonomia de Bloom Revisada, Dimensão do Conhecimento, Processo Cognitivo

Resumo

A avaliação do Ensino Superior no Brasil é realizada pelo Sistema Nacional de Educação Superior (SINAES), que tem como um de seus indicadores o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE). Neste trabalho foram analisados 120 (cento e vinte) itens objetivos e discursivos das provas ENADE para a Licenciatura em Física, nas edições de 2005, 2008, 2011 e 2014, buscando estudar a sua complexidade pela Taxonomia de Bloom Revisada (TBR). A TBR apresenta uma proposta de classificação bidimensional cruzando uma dimensão do conhecimento, isto é, “o que” o estudante deve saber para resolver a tarefa proposta, com os processos cognitivos envolvidos na resolução da tarefa proposta, refletindo “como” o problema é resolvido. Para a TBR o conhecimento pode ser compreendido nas dimensões: efetivo, conceitual, procedural e metacognitivo, que tratam, respectivamente, de conhecimentos básicos de terminologia, conhecimentos de conceitos, conhecimentos de metodologia procedimental e conhecimentos reflexivos e analíticos sobre a escolha para resolver a tarefa. Os processos cognitivos, apresentados por verbos na TBR, classificam quais habilidades o estudante requer para resolver a tarefa: lembrar, entender, aplicar, analisar, avaliar e criar. Para discriminar as capacidades requeridas nos itens discursivos, foram observados os padrões de respostas divulgados pelo MEC e, nos itens de múltipla escolha, a nossa resolução das questões. Em seguida, os itens foram alocados na tabela bidimensional proposta pela TBR, a qual nos fornece um panorama de cada prova. Observa-se na dimensão do conhecimento que apenas 17 (14%) dos itens avaliados nas quatro edições do exame estão no domínio do conhecimento efetivo, enquanto que 103 (86%) dos itens requerem os domínios do conhecimento conceitual e procedural (procedimental), os quais exigem níveis de maior complexidade. Entende-se tal resultado como compatível com o papel estratégico do ENADE como indicador balizador da qualidade do Ensino Superior Brasileiro. Pretende-se ampliar a atualização de docentes de Física do ensino superior acerca do Exame, possibilitando-lhes refletir sobre os aspectos da cognição envolvidos no ENADE, na perspectiva proposta pela TBR, incorporando seus pressupostos em sua práxis.

Biografia do Autor

João Paulo de Castro Costa, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, Campus Timóteo, MG

Possui Mestrado em Ensino de Ciências - Física (2013) pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Licenciatura em Física (2006) pelo Centro Universitário de Caratinga. É professor na carreira Ensino Básico, Técnico e Tecnológico no CEFET-MG, Campus Timóteo. Tem experiência na área de Ensino de Física, Políticas Educacionais ligadas ao Ensino de Física e Avaliação e Educação em Ciências.

Maria Inês Martins, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG

Possui graduação em Física pela Universidade de São Paulo (1979), mestrado em Física pela Universidade Federal de Minas Gerais (1989) e doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2002). Atualmente é professora adjunto da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e servidor ad hoc do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. É lider do grupo de pesquisa (CNPq) Livros Didáticos de Ciências e Matemática. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Planejamento e Avaliação Educacional, bem como na área de Ensino de Física, atuando principalmente nos seguintes temas: livros didáticos e exames de larga escala.

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Publicado

2017-12-08

Edição

Seção

Pesquisa em Ensino de Física