Conflitos socioambientais em áreas protegidas: disputas territoriais nas reservas de desenvolvimento sustentável Mamirauá e Amanã – AM

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1807-1384.2020.e70148

Palavras-chave:

Recursos naturais, Unidades de conservação, Conflitos territoriais, Amazônia

Resumo

As unidades de conservação se apresentam como a principal ferramenta de políticas públicas para conservação da sociobiodiversidade e a implementação destas exige a adoção de posturas relativas às regras e legislações ambientais para uso dos territórios e recursos, expresso no SNUC, gerando entre eles diferentes situações de conflitos socioambientais. Este texto busca compreender as lógicas de apropriações do território e dos recursos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (RDSA) e na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDSM). Nesse contexto, especificamente abordamos as dinâmicas dos conflitos associados às situações de disputas entre moradores e usuários pelo controle ao acesso e uso de recursos, com o objetivo de conhecer e analisar as configurações sociais e políticas em que entre esses atores se estabelecem as interações para a formulação e execução de políticas de gestão ambiental e territorial, no âmbito das quais nos interessa aquelas relacionadas aos projetos de manejo participativo e compartilhado de recursos pesqueiros. Para isso, a perspectiva metodológica da ecologia política provê, a partir de suas análises, possibilidades de apreender tais conflitos e as relações estabelecidas entre os diversos atores sociais e institucionais, cuja dinâmica do conflito se dá a partir dos diferentes entendimentos do que é conservação e uma dificuldade de estabelecer as áreas de preservação e de uso para pesca em territórios sobrepostos. A percepção heterogênea dos recursos naturais, dos direitos territoriais e a apropriação do território são o plano de fundo dos conflitos nas áreas protegidas da região.

Biografia do Autor

Vinícius Galvão Zanatto, Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

Geógrafo e mestre em Geografia pela Universidade de Brasília, Atulamente pesquisador no Instituto de Desenvovimento Sustentável Mamirauá no grupo de pesquisa em territorialidades e governança socioambiental na amazônia.

Patrícia Carvalho Rosa, Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá

Pesquisadora no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá onde é membro do grupo de pesquisa Territorialidades e Governança Socioambiental na Amazônia e pesquisadora colaboradora no Grupo de Pesquisa Arqueologia e gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia. Atua na área de Antropologia e disciplinas afins, com experiência em pesquisas com Povos e Comunidades Tradicionais relacionadas ao tema de conflitos socioambientais e políticas de Gestão em Áreas Protegidas na Amazônia e às problemáticas de ordenamentos territoriais, organização social, política e parentesco com interesse nas relações de gênero e saúde. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2008), mestrado em Antropologia Social pela Universidade de Brasília (2011) e doutorado em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (2015). É membro colaborador no Grupo de Pesquisa Interdisciplinar sobre Línguas e Culturas Amazônicas (GPLICA), vinculado ao Departamento de Educação Escolar Indígena (UFAM). Professora colaboradora no Colegiado do curso de Pedagogia na Universidade do Estado do Amazonas (CST/UEA)

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Publicado

2020-07-29

Edição

Seção

Eixo temático: “Amazônia: povos, conflitos e preservação”