New Journalism e etnografia: considerações sobre o tipo de observação praticada pela corrente Norte-Americana do jornalismo literário
DOI:
https://doi.org/10.5007/1984-6924.2025.e105943Palavras-chave:
New Journalism, Etnografia, Reportagem, Jornalismo, Jornalismo literárioResumo
O artigo aborda a complexidade em torno do conceito de etnografia, que é apresentado de forma reducionista na maioria das pesquisas que explora aproximações entre o trabalho jornalístico e o antropológico. Etnografia é citada nos estudos como sinônimo de trabalho de campo ou de observação participante – outros termos generalizantes ao se referir ao conceito. Um dos problemas recorrentes é associar a produção dos jornalistas do new journalism à etnografia. Em sua fase clássica, a partir da década de 1960, as obras publicadas por essa corrente não se valeram de métodos etnográficos, e sim de outro tipo de recurso que dialoga diretamente com a literatura realista do século XIX. A principal ferramenta empregada pelo new journalism é a verossimilhança, uma categoria central da literatura, que consiste em reconstituir fatos, mas sem obrigação de ser verídico. Ao contrário de um escritor que não precisa explicar seus métodos de criação, um jornalista deve expor as circunstâncias dos fatos narrados ou “recriados”, norteado pelo princípio da veracidade.
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