Discurso, testemunho e sofrimento: relatos de pessoas com transtorno depressivo no jornal Folha de S.Paulo entre 1990 e 1999

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-6924.2026.e112450

Palavras-chave:

Testemunho, Discurso, Depressão, Sofrimento, Jornal

Resumo

Este artigo se detém nos testemunhos de pessoas com transtorno depressivo, presentes no jornal Folha de S.Paulo entre os anos de 1990 e 1999, e busca refletir o quadro das relações estabelecidas entre a vítima, o jornalista e o público, os papéis que cabe a cada um e as performances que são dadas a ver no jornal. Justifica-se que o testemunho, em sua rica variação material, se configura como um interessante problema para o Campo da Comunicação, principalmente quando se deseja compreender como determinadas experiências de sofrimento se tornam narrativamente aceitáveis hoje. O método utilizado foi a arqueologia e a genealogia descrita por Foucault. Os dados obtidos pela pesquisa apontam para o fato de que já nos anos 90 se formou certo regime de veridicção a partir das emoções e da performance, em que apenas as qualidades do sujeito lhe permitem dizer a verdade. Em outras palavras, há a subordinação do saber ao modo de ser. O que permite inferir que o discurso verdadeiro passou a subordinar os enunciados constativos aos enunciados performáticos.

Biografia do Autor

Augusto Flamaryon Bozz, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá (Unifap). Doutor em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Investiga os jogos de verdade e de linguagem que estruturam a experiência psicológica de si e os testemunhos presentes nas redes sociais. O procedimento de pesquisa é a Genealogia (Nietzsche, Foucault, Butler) e a forma de análise é a arqueologia do discurso. Universo da pesquisa: testemunhos de pessoas que se classificam com transtorno depressivo veiculados nas redes sociais Instagram e Tiktok entre 2015 e atual.

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05-10-2026

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Artigos