Projeto de vida e meritocracia: perspectivas de estudantes do ensino médio em escola pública e escola privada
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-795X.2026.e109680Palavras-chave:
Ensino médio, Meritocracia, Educação emancipadoraResumo
Este artigo analisa as compreensões de estudantes do Ensino Médio acerca da lógica meritocrática de que, independentemente das condições sociais, o sucesso na vida depende exclusivamente do esforço individual. A geração de dados da pesquisa foi realizada em duas escolas do Vale do Itajaí (SC), uma pública e outra privada, por meio de questionários e grupos focais com educandos do primeiro ano. Os resultados revelam que a ideia de mérito, embora alimente expectativas de mobilidade social, contribui para a naturalização das desigualdades e para o que denominamos fatalismo meritocrático, ao responsabilizar o indivíduo por seu êxito ou fracasso. A análise, fundamentada em Pierre Dardot e Christian Laval (2016), Paulo Freire (2021a) e Michael Sandel (2023), evidencia como essas percepções refletem tensões entre possibilidades de uma formação crítica e a difusão de valores neoliberais. Ressalta-se que esses discursos estudantis emergem no âmbito de uma pesquisa sobre o componente curricular Projeto de Vida (PV), instituído pela reforma do Ensino Médio de 2017, o que fornece o contexto para a expressão das visões estudantis. Conclui-se que as percepções juvenis expressam contradições que desafiam a construção de práticas educativas comprometidas com a emancipação e com processos formativos capazes de problematizar as diversas desigualdades e os limites do discurso meritocrático.
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