(Des)ordem criativa: intra-ações e insubordinação na educação matemática
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-795X.2026.e111911Palavras-chave:
(Des)ordem, Insubordinação criativa, Intra-ações, Educação matemática, Justiça socialResumo
A sala de aula de matemática é frequentemente organizada por estruturas normativas que definem papéis pedagógicos, hierarquias epistêmicas e formas legitimadas de conhecimento. Pesquisas críticas em educação matemática têm mostrado que essas estruturas não são neutras, pois participam da produção de subjetividades e da legitimação de determinados modos de conhecer, ao mesmo tempo em que marginalizam outros. Nesse contexto, a noção de insubordinação criativa tem sido mobilizada para compreender ações docentes nas quais professores reinterpretam ou desafiam normas institucionais, quando essas entram em conflito com princípios éticos e pedagógicos. Entretanto, permanece a questão de como tais transformações pedagógicas se tornam possíveis nas práticas educativas. Este artigo articula a insubordinação criativa com o realismo agencial de Karen Barad, propondo uma leitura relacional da prática pedagógica baseada no conceito de intra-ação, segundo o qual sujeitos, saberes e materialidades emergem nas relações que constituem a sala de aula. A partir dessa articulação teórica, propõe-se o conceito de (des)ordem criativa como uma forma de compreender processos de desestabilização produtiva das estruturas normativas que organizam a prática educativa. Argumenta-se que a insubordinação criativa depende da emergência de momentos de (des)ordem nas relações material-discursivas da sala de aula, nos quais hierarquias epistêmicas são tensionadas e novas formas de participação e produção de conhecimento se tornam possíveis. Ao deslocar a compreensão da transformação pedagógica de ações individuais para processos relacionais, o artigo contribui para ampliar o debate sobre justiça social na educação matemática e para repensar a sala de aula como um espaço de coconstrução do conhecimento matemático.
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