Notas sobre o amor e a melancolia: da estrutura à resistência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2020v28n259368

Resumo

Michel Foucault, no texto “Un Plaisir si Simple”, mostra-nos que a miséria do amor moderno se fundaria sobre a ressignificação psicanalítica do remorso cristão. Por outro lado, Judith Butler nos explica, ao problematizar a relação entre a psicanálise e a matriz heterossexual, que o amor é melancólico e que o mecanismo da melancolia constitui a identidade de gênero. Conforme Butler, a melancolia parece ter duas disposições, uma estruturada e outra desviante. A melancolia estruturada garantiria a “cura” dos desvios sexuais mediante a aplicação dos códigos fálicos ao desejo do sujeito. Inversamente, a melancolia desviante estaria ligada à subversão da heteronormatividade. A partir disso, interessa-nos interrogar em que medida a interpretação foucaultiana do prazer concernente às transgressões amorosas se articularia à disposição desviante da melancolia butleriana; e, finalmente, gostaríamos de indicar algumas convergências entre a melancolia criativa e a ética antiga do cuidado de si.

Biografia do Autor

Cassiana Lopes Stephan, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Doutoranda em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (Bolsista CAPES/UFPR). Pesquisadora do Programa de Doutorado Sanduíche (PDSE-CAPES/ 2018-2019) na Université de Lille – École Doctorale Sciences de l’Homme et de la Société – Laboratoire Savoirs, Textes, Langage (STL/UMR 8163). Linha de pesquisa: Ética e Política.

Referências

BRENNAN, Tad. “Psicologia moral estoica”. In: INWOOD, Brad (Org.). Os Estoicos. Tradução de Paulo Fernando Tadeu Ferreira e Raul Fiker. São Paulo: Odysseus, 2006. p. 285-327.

BUTLER, Judith. Gender Trouble: feminism and subversion of identity. London: Taylor & Francis e-Library, 2002.

BUTLER, Judith. Giving an Account of Oneself. New York: Fordham University Press, 2005.

BUTLER, Judith. The Psychic Life of Power: Theories in Subjection. California: Stanford University Press, 1997.

BUTLER, Judith. What is Critique? An Essay on Foucault’s Virtue, 2001. Disponível em http://eipcp.net/transversal/0806/butler/en. Acesso em 26/01/2017.

DIOGENES LAERTIUS. Live of Eminent Philosophers. Tradução de R. D. Hicks. Cambridge: Harvard University Press, 1972.

EPICTETO. O Encheirídion de Epicteto. Tradução de Aldo Dinucci e Alfredo Julien. São Cristóvão: EDUFS, 2012. (Cap. 11)

FOUCAULT, Michel. A Hermenêutica do Sujeito. Tradução de Márcio Alves da Fonseca e Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

FOUCAULT, Michel. A Coragem da Verdade. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2011a.

FOUCAULT, Michel. A História da Sexualidade 3: O cuidado de si. Tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque. São Paulo: Graal, 2011b.

FOUCAULT, Michel. Dits et écrits II. 1976-1988. Paris: Gallimard, 2001.

FOUCAULT, Michel. Nascimento da Biopolítica. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

FREUD, Sigmund. Deuil et mélancolie. Tradução de Aline Weill. Paris: Payot & Rivages, 2011a.

FOUCAULT, Michel. Do governo dos vivos. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

HADOT, Pierre. Exercices Spirituels et Philosophie Antique. Paris: Albin Michel, 1993.

LACAN, Jacques. O Seminário, Livro 8: A Transferência. Tradução de Dulce Duque Estrada. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.

NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia e a Ciência. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

PLUTARCO. Como distinguir o amigo do bajulador. Tradução de Ísis Borges B. da Fonseca. São Paulo: Martins Fontes, 2011.

Downloads

Publicado

2020-09-16

Edição

Seção

Ponto de Vista