Práticas de percepção da fertilidade entre mulheres jovens

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1806-9584-2021v29n161724

Palavras-chave:

percepção da fertilidade, biomedicalização, gênero, empoderamento, hormônios

Resumo

Neste artigo temos como objetivo caracterizar uma configuração em torno da percepção da fertilidade e descrever sua articulação ao aparato de gênero e à biomedicalização. Com uma abordagem etnográfica, tomamos como ponto de partida um grupo no Facebook sobre percepção da fertilidade e realizamos entrevistas semiestruturadas com seis de suas porta-vozes. Além disso, analisamos livros e sítios que nos foram indicados nessas entrevistas e fizemos observação participante em um curso presencial ministrado por uma das interlocutoras. Concluímos que concomitante a projetos coletivos de empoderamento de corpos e subjetividades com ciclos menstruais, há responsabilização individual pela saúde e pelo autoaprimoramento. Ademais, reforça-se a substancialização do binarismo sexual com a produção de uma “natureza hormonal”, ainda que seja mais associada à saúde que ao gênero.

Biografia do Autor

Bruna Klöppel, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Bruna Klöppel é bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestre em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, atualmente, doutoranda no mesmo Programa. Pesquisa na área de Gênero e Sexualidades, Estudos Feministas da Ciência e Antropologia da Ciência e Tecnologia.

Fabiola Rohden, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Fabíola Rohden é mestre e doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000). Atualmente, é Professora Adjunta do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Realiza pesquisas e assessorias nas áreas de relações de gênero, corpo, sexualidade, saúde, gênero e ciência e história da medicina no Brasil.

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Publicado

2021-07-21

Edição

Seção

Artigos