O Programa Aurora frente ao Efeito Tesoura e às desigualdades estruturais na produção científica
DOI:
https://doi.org/10.5007/2177-7055.2026.e113715Palavras-chave:
Programa Aurora, Efeito Tesoura, Efeito Matilda, Maternidade, Mulheres na ciênciaResumo
O estudo analisa o Programa Aurora, instituído pela Portaria nº 129/2026 da CAPES, como política pública de equidade de gênero na ciência brasileira que prevê bolsa de pesquisa para gestantes e mães de filhos com até 2 anos. A pesquisa parte da constatação de que, embora as mulheres tenham ampliado sua presença na formação acadêmica e científica, permanecem sub-representadas em espaços de liderança, bolsas de maior prestígio e instâncias de decisão, fenômeno associado ao Efeito Tesoura. Por meio de análise documental, normativa e revisão bibliográfica, o estudo examina a exclusão histórica das mulheres na ciência, o Efeito Matilda, as barreiras estruturais à ascensão feminina e desenho institucional do Programa Aurora. Conclui-se que o Programa representa avanço ao reconhecer a maternidade como fator de vulnerabilidade profissional e ao prever apoio acadêmico-científico por meio de bolsas de pós-doutorado. Contudo, sua capacidade transformadora é limitada, pois incide diretamente sobre a penalização da maternidade, sem enfrentar, de forma ampla, outras desigualdades estruturais que sustentam o Efeito Tesoura.
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