Um tradutor é um escritor da sombra? Variações sobre a ontologia da tradução.

Márcio Seligmann-Silva

Resumo


O artigo parte da afirmação em uma entrevista da tradutora Claude Demanuelli, segundo a qual, “Un traducteur n’est qu’un écrivain en second, en italiques, entre parenthèses. Il n’existe que dans les notes de bas de page, sous la forme d’abréviations [...] Un traducteur est un écrivain de l’ombre. Il ne prendra jamais la place d’un écrivain”. Apresenta-se então uma reflexão histórica e conceitual acerca da comparação entre o ato de traduzir e a sombra. Partindo de Platão e de Plínio o Velho, o primeiro com o mito da caverna e o segundo com o de Dibutades e a origem da pintura no delineamento da sombra, o artigo aponta para a rica metaforologia que se pode extrair do reino das sombras para se pensar a tradução. Apresenta-se a relação entre a noção de skiagraphia e de tradução. Ao final o autor aponta para duas visões da tradução que procuram se furtar criticamente a essa aproximação do tradutor com a escrita de sombras: a de Walter Benjamin e a de Vilém Fusser.

Palavras-chave


Tradução e autoria, secundidade, skiagraphia, mimesis e tradução, Vilém Flusser.

Texto completo:

PDFA


DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7968.2011v2n28p11



Cadernos de Tradução, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSN 2175-7968.