A heteronímia de Fernando Pessoa: literatura plurilíngue e translacional

Joachim Michael

Resumo


Fernando Pessoa é um dos poetas portugueses mais importantes, mas ele também foi um grande poeta inglês. Partindo desta observação, o presente estudo propõe-se a discutir a função das línguas, de suas diferenças e das passagens interlinguísticas na obra de Pessoa. Esta questão levanta o problema da escrita heteronímica, já que alguns heterônimos eram estrangeiros e escreviam em inglês e em francês, outros eram portugueses e escreviam em português, uns traduziam para o inglês, outros traduziam para o português, uns divulgavam obras estrangeiras ensaisticamente em Portugal, outros faziam o mesmo na Inglaterra. Nota-se, portanto, que a heteronímia encontra na transgressão dos limites linguísticos e culturais um projeto constitutivo. Para entender-se melhor esta tendência plural e translacional torna-se inevitável analisar o sentido e o funcionamento da heteronímia. A ideia do estudo é debater o fenômeno como uma proposta literária radical que, assentando na experiência da dissolução irremediável do real, passa a simular não a realidade, mas a ficção convertendo-se em literatura no sentido de uma rede de obras de autores nem existentes nem inexistentes. Como literatura no sentido tanto qualitativo como quantitativo, a heteronímia envolve passagens interculturais e tende, até, a transgredir seu próprio limite, a língua.


Palavras-chave


Heteronímia; Plurilinguismo; Despersonalização; Desrealização; Ficção da ficção; Tradução heteronímica; Passagem intercultural

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7968.2014v3nespp160



Cadernos de Tradução, ISSN 2175-7968, Florianópolis, Brasil.

 

CAPES

 

 

Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras (DLLE)- UFSC

 

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