Interpretar ensinando e ensinar interpretando: posições assumidas no ato interpretativo em contexto de inclusão para surdos

Audrei Gesser

Resumo


O objetivo desse artigo é descrever algumas passagens da atuação do intérprete educacional no contexto de uma escola regular, mais especificamente do 7º ano em que quatro alunos surdos estão incluídos, e que conta com a implementação de um projeto bilíngue. Partindo da premissa de que a situação inclusiva impõe aos intérpretes fazeres pedagógicos durante o ato interpretativo, interessou observar, por um lado, as construções de espaços temporais na sala de aula que suscitam vínculos e parcerias entre intérprete e professor para além da mera interpretação instrumentalizada; e por outro, a configuração das tomadas de decisões durante o ato interpretativo a partir de um acontecimento didático versado pelo professor regente. A análise dos registros gerados indica que há um trânsito entre a “posição-intérprete” e a “posição-mestre”, sendo esta última ativada pela vontade da intérprete de criar vínculos e conexões com os alunos surdos em seu processo de aprendizagem; e a primeira, como efeito próprio dos desafios individuais com os quais se depara cotidianamente, em termos linguísticos, cognitivos, físicos e referenciais.


Palavras-chave


intérprete educacional; escola inclusiva para surdos; língua brasileira de sinais

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7968.2015v35nesp2p534



Cadernos de Tradução, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSN 2175-7968.