Catulo revisitado: reflexões sobre propostas de traduções do poema 16 em língua portuguesa

Autores

  • Diogo Martins Alves Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Campinas, São Paulo, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7968.2018v38n2p120

Palavras-chave:

Letras Clássicas, Catulo, Obscenidade, Tradução, Censura

Resumo

Gaio Valério Catulo (87-84 e 57-54 a.C.) é, para os modernos, o principal representante da corrente estética em que sua poesia se insere, o chamado “neoterismo”. Também é considerado um dos poetas latinos mais traduzidos da Antiguidade (Vasconcellos, 1991, p. 11). Paradoxalmente, a transmissão de seu libellus sofreu diversas interpolações ao longo do tempo, sobretudo em relação aos poemas que contêm determinado léxico sexual. No presente estudo, apresentamos um breve panorama sobre o modo como editores e tradutores portugueses lidaram com o texto latino de Catulo, mais especificamente, com relação ao carmen 16. Nesse poema, Catulo emprega, no primeiro e último versos, termos de cunho sexual, a saber: os verbos pedicabo e irrumabo, que denominam o ato de penetrar por via anal e oral, respectivamente. A presença desses vocábulos fez com que editores do texto latino em alguma medida censurassem sua divulgação. Desse modo, nosso objetivo se divide em duas etapas: i) observar como editores dos textos latinos têm lidado com esse texto, e ii) analisar as escolhas tradutórias no poema vertido para a língua portuguesa, de maneira a refletir sobre como a supressão ou atenuação de um vocabulário obsceno vem sendo reconsideradas, sobretudo em traduções brasileiras.

Biografia do Autor

Diogo Martins Alves, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Campinas, São Paulo, Brasil

Mestrado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas, Brasil(2013)
Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior , Brasil

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Publicado

2018-05-11